A casca reluzente, de verde viçoso, que cobre a tez
Mostra-se fortificada, como quem alheio a tudo
Passa correndo pelo mundo, cego e mudo,
E estagna, distorcida renascentista estátua e sua palidez
O sorriso buscado: expressão máxima de contentamento
O olhar rebuscado que mal esconde as pupilas congeladas
Febris e vidradas. Nesse castelo de cartas rotas, bem gastas
Que sustentam o vazio e pesado interior: não-vivendo; não-morendo
Cedo ou tarde a parede de verde vidro racha
Vaza aos poucos o cinza incandescente e apático
Que gotejando lento, queima e, as cartas rasga
E esse vazio escondido nesse clichê dramático
Essse monstrengo torto de inteligência parca
Observa de seu trono, de retahos, letárgico
Contos, crônicas, poesias, literatura em geral. Textos próprios baseados nas experiências daquele intervalo que existe entre a realidade e a ficção, naquele sonho no qual você ainda está acordado.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
quinta-feira, 10 de julho de 2014
É apenas mais um fim do mundo diário e constante
- Nossa! 7 x 1 para a Alemanha!
- Pois é. Mas não é o fim do mundo...
- Não pra todo mundo. Mas você viu a quantidade de gente chorando, queimando bandeira, ônibus e destruindo vitrines por aí?
- Mas isso, pelo menos de acordo com o modo que vivemos hoje, é inevitável. Se não é algo proposital, no mínimo é um ônus calculado. Nós temos inúmeros estímulos diários que nos mostram uma realidade onde podemos tudo. Basta acreditar em si mesmo, ou ter fé em Deus, ou um dos mais eficientes: basta não desistir nunca. Aí, quando nem reza braba resolve as pessoas se revoltam. Mas é por um tempo determinado, e no fim, tudo volta como era antes: todos achando que faltou um pouquinho mais de fé ou um pouquinho mais de perseverança.
Parece que ninguém entende que algumas vezes só "não dá". E todo mundo consegue enxergar o problema quando é com outro, mas, consigo mesmo, aí é diferente, porque com você mesmo a coisa sempre é diferente.
Essa história de "sou brasileiro e não desisto nunca" parece uma enorme babaquice mas, algumas vezes, até parece que faz algum sentido - parece; ou talvez todos sejam assim, mesmo - não apenas os brasileiros. Tipo, você não tem grana nem pra comida e aluguel do mês, direito, e ainda assim vai e financia um carro zero. E não pode ser qualquer carro zero: não pode ser 1.0, tem que ter 4 portas, ar-condicionado, equipamento de som profissional...
Você sabe (ou não) que tem certas limitações intelectuais, que mal consegue passar em um vestibular de qualquer universidade particular, de qualidade duvidosa, porque você zera a prova, mas insiste em pagar cursinho atrás de cursinho para passar em concursos públicos onde há uma vaga para 100.000 mil inscritos.
O cara sabe que a beleza não é uma de suas melhores qualidades, tão pouco é esperto e sua "lábia" mal consegue manter a atenção de sua própria mãe sobre ele por mais de alguns segundos. Ainda assim a pessoa insiste em ir à balada e tentar alguma coisa apenas com a mulher (ou homem) mais top do lugar - que até acha a situação engraçada porque não consegue ter certeza se aquilo é sério ou alguma pegadinha.
Você, lá no fundo, sente sua insuficiência, sabe que não é bom o bastante - e que ao que tudo indica nunca será - mas alguma coisa te move em direção ao precipício que apenas você não vê. Todos ao seu redor estão vendo claramente o tamanho da sua ilusão, mas você ouve "sim" onde foi dito "não", um "talvez" onde foi dito "jamais", um "com certeza" onde foi dito "nem que o mundo acabe amanhã".
Talvez grande parte da culpa dessa história diária e triste seja das exceções que surgem , aparentemente, a todo momento, até que parecem comuns o suficientes para que nos acostumemos com a ideia de que poderíamos ser nós mesmos: O homem do interior que apostou 1 bilhete da loteria e ficou milionário, o jovem com obesidade mórbida e sem um tostão no bolso que namora uma modelo maravilhosa, o morador de rua que conseguiu terminar uma graduação - enquanto ainda morava nas ruas - e hoje tem um importante cargo executivo em uma importante empresa.
Isso pode até soar como teoria da conspiração, mas é muito mais fácil controlar um povo esperançoso do que um revoltado por ser cônscio de sua realidade - ainda mais se pensarmos em um povo revoltado e ignorante. Então, pode ser que as coisas não nos pareçam assim simplesmente porque isso faz parte da condição humana, pode ser que isso seja intencional, mais uma forma de controle. E para esse controle funcionar basta fazer com que nos questionemos: "por que não eu?"
- Mas aí você faz o quê?
- Nada. Não sou tão pretensioso à ponto de imaginar ter uma solução real para a Vida. E também tenho minha boa parcela de esperança, meu auto-boicote de realidade diário, a sensação de que amanhã vai ser o meu dia de ganhar na loteria com um único bilhete, mesmo sentindo lá no fundo, que por algum motivo que obviamente não faço a mínima ideia qual é, sou insuficiente.
- Pois é. Mas não é o fim do mundo...
- Não pra todo mundo. Mas você viu a quantidade de gente chorando, queimando bandeira, ônibus e destruindo vitrines por aí?
- Mas isso, pelo menos de acordo com o modo que vivemos hoje, é inevitável. Se não é algo proposital, no mínimo é um ônus calculado. Nós temos inúmeros estímulos diários que nos mostram uma realidade onde podemos tudo. Basta acreditar em si mesmo, ou ter fé em Deus, ou um dos mais eficientes: basta não desistir nunca. Aí, quando nem reza braba resolve as pessoas se revoltam. Mas é por um tempo determinado, e no fim, tudo volta como era antes: todos achando que faltou um pouquinho mais de fé ou um pouquinho mais de perseverança.
Parece que ninguém entende que algumas vezes só "não dá". E todo mundo consegue enxergar o problema quando é com outro, mas, consigo mesmo, aí é diferente, porque com você mesmo a coisa sempre é diferente.
Essa história de "sou brasileiro e não desisto nunca" parece uma enorme babaquice mas, algumas vezes, até parece que faz algum sentido - parece; ou talvez todos sejam assim, mesmo - não apenas os brasileiros. Tipo, você não tem grana nem pra comida e aluguel do mês, direito, e ainda assim vai e financia um carro zero. E não pode ser qualquer carro zero: não pode ser 1.0, tem que ter 4 portas, ar-condicionado, equipamento de som profissional...
Você sabe (ou não) que tem certas limitações intelectuais, que mal consegue passar em um vestibular de qualquer universidade particular, de qualidade duvidosa, porque você zera a prova, mas insiste em pagar cursinho atrás de cursinho para passar em concursos públicos onde há uma vaga para 100.000 mil inscritos.
O cara sabe que a beleza não é uma de suas melhores qualidades, tão pouco é esperto e sua "lábia" mal consegue manter a atenção de sua própria mãe sobre ele por mais de alguns segundos. Ainda assim a pessoa insiste em ir à balada e tentar alguma coisa apenas com a mulher (ou homem) mais top do lugar - que até acha a situação engraçada porque não consegue ter certeza se aquilo é sério ou alguma pegadinha.
Você, lá no fundo, sente sua insuficiência, sabe que não é bom o bastante - e que ao que tudo indica nunca será - mas alguma coisa te move em direção ao precipício que apenas você não vê. Todos ao seu redor estão vendo claramente o tamanho da sua ilusão, mas você ouve "sim" onde foi dito "não", um "talvez" onde foi dito "jamais", um "com certeza" onde foi dito "nem que o mundo acabe amanhã".
Talvez grande parte da culpa dessa história diária e triste seja das exceções que surgem , aparentemente, a todo momento, até que parecem comuns o suficientes para que nos acostumemos com a ideia de que poderíamos ser nós mesmos: O homem do interior que apostou 1 bilhete da loteria e ficou milionário, o jovem com obesidade mórbida e sem um tostão no bolso que namora uma modelo maravilhosa, o morador de rua que conseguiu terminar uma graduação - enquanto ainda morava nas ruas - e hoje tem um importante cargo executivo em uma importante empresa.
Isso pode até soar como teoria da conspiração, mas é muito mais fácil controlar um povo esperançoso do que um revoltado por ser cônscio de sua realidade - ainda mais se pensarmos em um povo revoltado e ignorante. Então, pode ser que as coisas não nos pareçam assim simplesmente porque isso faz parte da condição humana, pode ser que isso seja intencional, mais uma forma de controle. E para esse controle funcionar basta fazer com que nos questionemos: "por que não eu?"
- Mas aí você faz o quê?
- Nada. Não sou tão pretensioso à ponto de imaginar ter uma solução real para a Vida. E também tenho minha boa parcela de esperança, meu auto-boicote de realidade diário, a sensação de que amanhã vai ser o meu dia de ganhar na loteria com um único bilhete, mesmo sentindo lá no fundo, que por algum motivo que obviamente não faço a mínima ideia qual é, sou insuficiente.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Rachel Sheherazade: The Punisher brasileira
Parece-me que a explicação mais lógica para as declarações de Rachel Sheherazade e seus seguidores é o desconhecimento, ou conceitos e premissas errôneas, sobre o direito brasileiro - sem entrarmos na questão de sua inteligência, ou falta dela.
Algumas declarações da moça:
Salvo engano, em outro comentário a jornalista dizia que o povo estava em seu direito, pois todo cidadão tem direito de prisão. Isso é uma das coisas que me faz ter quase certeza que essa mulher é uma oportunista manipuladora sem escrúpulos. Qualquer cidadão tem direito de prisão, sim, mas é em flagrante delito; e o linchamento nunca está liberado. Mas ela não fala isso pra ninguém. Por que será?...
E não se trata aqui de direita ou esquerda -apesar de que, de certo modo, se você é um reacionário, você não quer que as coisas mudem, aí fica meio contraditório reclamar de como as coisas estão- mas sim de um movimento retrógrado. Foram milhares de ano até que o Direito se tornasse mais justo e civilizado e vem uma jornalista cheia de ódio incitar o povo a abandonar toda esse trabalho e voltar aos tempos das cavernas.
A jornalista não entende que os direitos que defendem o "marginalzinho" a defendem também. Se podemos negar-lhe esses direitos podemos negar a ela e aos "cidadãos de bem". Se podemos escolher a quem o direito se aplica ou não, isso é tudo o que o Estado precisa para criar um governo autoritário que pune quem quiser de acordo com sua vontade. Como eu disse, foram milhares de anos para o Direito se encontrar na sua atual configuração, não é algo aleatório, tem o seu porque de ser como é e com certeza é pensado para ser, ao menos em teoria, o mais justo possível.
Mas há algo bom a se tirar do linchamento: isso claramente mostra o descontentamento com a sensação de insegurança que nos rodeia, e espero que isso chame a atenção do Estado de forma positiva. Mas todos querem pegar atalhos na hora de resolver os problemas. Ninguém quer votar em políticos que se disponham a investir em educação e programas sociais, que dariam resultados após 10 anos. Querem é o político que prometa acabar com a violência em um mês gastando todo o orçamento em policiamento, armas e equipamentos para os policiais - o que obviamente não vai resolver problema, afinal, até o momento o problema ainda existe.
O desconhecimento de como opera o Direito gera grande parte da sensação de que a lei não se cumpre. Como se espera acabar com a criminalidade simplesmente abarrotando as cadeias com cada vez mais e mais pessoas? As cadeias deveriam funcionar como espaços onde os criminosos seriam ressocializados, mas na verdade funcionam como graduação de bandidos e freio social que faz com que a maioria das pessoas não cometam crimes, pelo simples fato de que talvez sejam presos. Mas essas transformações que seriam necessárias no sistema carcerário demandariam muito tempo, dinheiro e esforço. Então o que fazemos? Tomamos o caminho mais fácil: entupimos as cadeias. Ou como querem alguns matamos todo mundo, porque é claro que assim resolvemos todos os problemas: matou? Morte. Roubou? Morte. Desviou dinheiro, público ou privado (o que também é uma forma de roubo)? Morte. Você é um pai de família, cristão, de bem, acusado de um crime que não cometeu e não teve direito a um julgamento justo? Azar o seu: morte.
É com bastante tristeza que escrevo este texto, pois vejo a quantidade gigantesca de seguidores da mentalidade grotesca de Rachel Sheherazade. E sei que muitos vão passar os olhos sem atentar para argumento algum e simplesmente bradar: "faça um favor ao Brasil, adote um bandido”. Mas tudo bem, como esperar encontrar bom senso onde não há?
Agir como um bandido, à margem da lei, para fazer "justiça", é quase como tentar apagar um incêndio atirando mais lenha à fogueira. Criminoso bom é criminoso morto? Os linchadores teriam que morrer também. O ser humano é muito egoísta e assim só consegue ver seu próprio umbigo. É muito fácil reclamar de determinados direitos quando não somos nós os beneficiados, mas a coisa muda bastante quando é você que está do outro lado. E, mesmo que seja por engano, você pode estar desse outro lado e aí você vai querer fazer valer seus direitos. O que me lembra o caso d`"O ex-presidiário Heberson Lima de Oliveira, hoje com 30 anos, teve a juventude roubada por um erro da Justiça do Amazonas e luta para receber do Estado uma indenização depois de tudo o que passou. Preso em 2003 suspeito de estuprar uma menina de nove anos, ele ficou três anos atrás das grades até que teve a inocência provada. Isolado em uma cela destinada aos homens que cometeram crimes sexuais, ele foi estuprado pelos companheiros de cela e contraiu Aids, o que fez com que a liberdade chegasse de forma tardia para ele." Com ele também foi feita "justiça" com as próprias mãos, mas poderia ser com você aí.
Consciência povo! Mais estudo e menos televisão, por favor.
Referências das citações:
Âncora do SBT, Rachel Sheherazade diz que ação de justiceiros no Rio é ‘compreensível’ e não ‘aceitável’
Rachel Sheherazade: a porta voz perfeita do ódio das 'pessoas de bem'
SBT: Comentário polêmico de Rachel Sheherazade é de responsabilidade dela
Homem preso injustamente luta por indenização após contrair HIV em estupro no presídio
Algumas declarações da moça:
- Em nenhum momento, no meu comentário, há qualquer menção de apoio à violência praticada pelos justiceiros. Não disse que a atitude deles foi "aceitável" disse que foi "compreensível"
- Quem é o PSOL para me censurar, se a Constituição Brasileira me garante o direito de livre expressão?
- Se a legenda acha que faço apologia ao crime, me processe. Quem anda com a verdade, não teme a Justiça.
Salvo engano, em outro comentário a jornalista dizia que o povo estava em seu direito, pois todo cidadão tem direito de prisão. Isso é uma das coisas que me faz ter quase certeza que essa mulher é uma oportunista manipuladora sem escrúpulos. Qualquer cidadão tem direito de prisão, sim, mas é em flagrante delito; e o linchamento nunca está liberado. Mas ela não fala isso pra ninguém. Por que será?...
E não se trata aqui de direita ou esquerda -apesar de que, de certo modo, se você é um reacionário, você não quer que as coisas mudem, aí fica meio contraditório reclamar de como as coisas estão- mas sim de um movimento retrógrado. Foram milhares de ano até que o Direito se tornasse mais justo e civilizado e vem uma jornalista cheia de ódio incitar o povo a abandonar toda esse trabalho e voltar aos tempos das cavernas.
A jornalista não entende que os direitos que defendem o "marginalzinho" a defendem também. Se podemos negar-lhe esses direitos podemos negar a ela e aos "cidadãos de bem". Se podemos escolher a quem o direito se aplica ou não, isso é tudo o que o Estado precisa para criar um governo autoritário que pune quem quiser de acordo com sua vontade. Como eu disse, foram milhares de anos para o Direito se encontrar na sua atual configuração, não é algo aleatório, tem o seu porque de ser como é e com certeza é pensado para ser, ao menos em teoria, o mais justo possível.
Mas há algo bom a se tirar do linchamento: isso claramente mostra o descontentamento com a sensação de insegurança que nos rodeia, e espero que isso chame a atenção do Estado de forma positiva. Mas todos querem pegar atalhos na hora de resolver os problemas. Ninguém quer votar em políticos que se disponham a investir em educação e programas sociais, que dariam resultados após 10 anos. Querem é o político que prometa acabar com a violência em um mês gastando todo o orçamento em policiamento, armas e equipamentos para os policiais - o que obviamente não vai resolver problema, afinal, até o momento o problema ainda existe.
O desconhecimento de como opera o Direito gera grande parte da sensação de que a lei não se cumpre. Como se espera acabar com a criminalidade simplesmente abarrotando as cadeias com cada vez mais e mais pessoas? As cadeias deveriam funcionar como espaços onde os criminosos seriam ressocializados, mas na verdade funcionam como graduação de bandidos e freio social que faz com que a maioria das pessoas não cometam crimes, pelo simples fato de que talvez sejam presos. Mas essas transformações que seriam necessárias no sistema carcerário demandariam muito tempo, dinheiro e esforço. Então o que fazemos? Tomamos o caminho mais fácil: entupimos as cadeias. Ou como querem alguns matamos todo mundo, porque é claro que assim resolvemos todos os problemas: matou? Morte. Roubou? Morte. Desviou dinheiro, público ou privado (o que também é uma forma de roubo)? Morte. Você é um pai de família, cristão, de bem, acusado de um crime que não cometeu e não teve direito a um julgamento justo? Azar o seu: morte.
É com bastante tristeza que escrevo este texto, pois vejo a quantidade gigantesca de seguidores da mentalidade grotesca de Rachel Sheherazade. E sei que muitos vão passar os olhos sem atentar para argumento algum e simplesmente bradar: "faça um favor ao Brasil, adote um bandido”. Mas tudo bem, como esperar encontrar bom senso onde não há?
Agir como um bandido, à margem da lei, para fazer "justiça", é quase como tentar apagar um incêndio atirando mais lenha à fogueira. Criminoso bom é criminoso morto? Os linchadores teriam que morrer também. O ser humano é muito egoísta e assim só consegue ver seu próprio umbigo. É muito fácil reclamar de determinados direitos quando não somos nós os beneficiados, mas a coisa muda bastante quando é você que está do outro lado. E, mesmo que seja por engano, você pode estar desse outro lado e aí você vai querer fazer valer seus direitos. O que me lembra o caso d`"O ex-presidiário Heberson Lima de Oliveira, hoje com 30 anos, teve a juventude roubada por um erro da Justiça do Amazonas e luta para receber do Estado uma indenização depois de tudo o que passou. Preso em 2003 suspeito de estuprar uma menina de nove anos, ele ficou três anos atrás das grades até que teve a inocência provada. Isolado em uma cela destinada aos homens que cometeram crimes sexuais, ele foi estuprado pelos companheiros de cela e contraiu Aids, o que fez com que a liberdade chegasse de forma tardia para ele." Com ele também foi feita "justiça" com as próprias mãos, mas poderia ser com você aí.
Consciência povo! Mais estudo e menos televisão, por favor.
Referências das citações:
Âncora do SBT, Rachel Sheherazade diz que ação de justiceiros no Rio é ‘compreensível’ e não ‘aceitável’
Rachel Sheherazade: a porta voz perfeita do ódio das 'pessoas de bem'
SBT: Comentário polêmico de Rachel Sheherazade é de responsabilidade dela
Homem preso injustamente luta por indenização após contrair HIV em estupro no presídio
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Egito, Êxodo e Deus (todos os textos)
Esta
é uma pequena série de textos mostrando uma alternativa ao ponto de
vista consensual sobre o êxodo do Egito, o Egito e regiões próximas
nessa época e a formação da religião judaica, que por sua vez deu
origem ao cristianismo e ao islamismo.
Estes textos são uma espécie de resumo, trechos retirados do livro
“TUTANCÂMON a verdade por trás do maior mistério da arqueologia”
(título original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald,
Editora Landscape, 2004. O livro é muito mais abrangente e detalhado
do que o mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista
alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as
referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais
prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos
autores. Quaisquer dúvidas ou pedidos de referências podem comentar
que responderei.
Estes
textos, obviamente, estão aquém do original, no entanto, conseguem
mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja
exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam
pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela
verdade.
Parte I b: O profeta e o êxodo do Egito como não conhecemos
Parte I c: O messias egípcio; e o fim do faraó monoteísta
Parte I d: Castigo dos deuses: As pragas do Egito
Parte II a: As primeiras tribos adoradoras de “Deus”
Parte II b: A Morada de “Deus”
Parte II-c: Construindo Deus
Parte II-d: Yahweh na Cidade de Pedra
Parte II-e: As pegadas do deus da montanha
Parte II-f: Conclusões sobre Deus
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Egito, Êxodo e Deus: Parte II-f: Conclusões sobre Deus
Esta é uma pequena série
de textos mostrando uma alternativa ao ponto de vista consensual
sobre o êxodo do Egito, o Egito e regiões próximas nessa época e
a formação da religião judaica, que por sua vez deu origem ao
cristianismo e ao islamismo. Os textos estão divididos em duas
partes. Esta segunda parte é dividida em seis partes menores.
Estes textos são uma espécie de resumo, trechos retirados do livro
“TUTANCÂMON a verdade por trás do maior mistério da arqueologia”
(título original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald,
Editora Landscape, 2004. O livro é muito mais abrangente e detalhado
do que o mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista
alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as
referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais
prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos
autores. Quaisquer dúvidas ou pedidos de referências podem comentar
que responderei.
Estes
textos, obviamente, estão aquém do original, no entanto, conseguem
mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja
exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam
pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela
verdade.
A
Identidade de Deus
Do
Egito a Petra
Relatos
greco-egípcios e depois greco-romanos do êxodo, bem como amplas
provas textuais, mostram-nos que uma peste assolou o Egito e o
Oriente Próximo durante a época de Tutancâmon e seus sucessores.
Foi considerada retribuição divina por ter o país abandonado os
velhos deuses durante o reinado do meio-irmão do menino-rei,
Aquenaton, que obrigou os egípcios a adorarem apenas um deus, Aton,
ou disco solar. Por conseguinte, os sacerdotes destituídos de seus
postos e os seguidores do Aton, juntamente com um grande número de
seguidores asiáticos, foram expulsos do Egito na tentativa de
aplacar os deuses, e livrar o país da peste, uma vez que eram
considerados a causa dela.
Os
sacerdotes “impuros” e seguidores de Aton retiveram a firme
crença nos princípios monoteístas de Aton. Isso, segundo os
autores, tentaram impor aos shasu e aos “estrangeiros” asiáticos
que foram obrigados a deixar o Delta Oriental egípcio, mas cuja
pátria original seriam as montanhas de Seir, a terra de Edom. Essa
imposição deve ter causado considerável consternação entre
certos elementos da aliança tribal, que ainda aderiam à religião
politeísta, tida por idólatra.
Mas
algo especial aconteceu quando os israelitas acamparam em Petra, sob
a montanha de Yahweh. De alguma maneira, os princípios de Aton
parecem ter se mesclado com conceitos-chave do deus da montanha
local, venerado pelos nativos shasu, ou proto-edomitas, cujo clã
principal era quase certamente conhecido como “Israel”.
Inquestionavelmente, foi esse o motivo pelo qual, em vez de levar os
israelitas diretamente para a Palestina, Moisés os trouxe a Petra,
antiga Cades, talvez porque muitos dos povos asiáticos/árabes que o
acompanharam em sua jornada fossem na verdade shasu dessa região. Na
opinião dos autores, foi assim que a religião mosaica surgiu, por
volta de 1300-1200 a.C. Tudo consistiu em uma fusão de ideias e
crenças de povos com diferentes formações culturais e étnicas.
O
verdadeiro Israelitas
Os indícios apresentados neste livro indicam que os povos nativos de
Seir-Edom, os shasu, antecessores dos edomitas da Bíblia, podem ter
a chave para explicar o desenvolvimento da raça israelita por volta
do final da Idade do Bronze Recente. Aparentemente eles foram os
primeiros adoradores de Yahweh, que antes era essencialmente um deus
das montanhas com características bovinas e lunares, venerados por
uma aliança tribal reunida por um núcleo de indivíduos egípcios,
mais plausivelmente ex-sacerdotes e seguidores de Aton. O Israel da
Estela da Vitória quase certamente é o principal clão dos shasu,
cujo nome se deve a seu primeiro ancestral, o qual pode ter sido
simplesmente Jacó, o neto de Abraão.
Parte II-e: As pegadas do deus da montanha
Parte I a: O faraó monoteísta e um panorama sobre o Egito à época do êxodo
Parte II-e: As pegadas do deus da montanha
Parte I a: O faraó monoteísta e um panorama sobre o Egito à época do êxodo
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Egito, Êxodo e Deus: Parte II-e: As pegadas do deus da montanha
Esta
é uma pequena série de textos mostrando uma alternativa ao ponto de
vista consensual sobre o êxodo do Egito, o Egito e regiões próximas
nessa época e a formação da religião judaica, que por sua vez deu
origem ao cristianismo e ao islamismo. Os textos estão divididos em
duas partes. Esta segunda parte é dividida em seis partes menores.
Estes
textos são uma espécie de resumo, trechos retirados do livro
“TUTANCÂMON a verdade por trás do maior mistério da arqueologia”
(título original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald,
Editora Landscape, 2004. O livro é muito mais abrangente e detalhado
do que o mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista
alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as
referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais
prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos
autores. Quaisquer dúvidas ou pedidos de referências podem comentar
que responderei.
Estes
textos, obviamente, estão aquém do original, no entanto, conseguem
mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja
exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam
pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela
verdade.
O
senhor das Montanhas de Shara
Além
do anfiteatro natural e do púlpito nas encostas de Umm al-Biyara,
Nielsen também encontrou pichações escavadas na face da rocha.
Pôde distinguir uma “cabeça de touro triangular com a meia lua
acima dela”, que ele afirmou ser parecida com exemplos encontrados
nos antigos monumentos árabes.
A
principal deidade nabateia era Dhushara, que significa “Senhor das
Montanhas Shara”, sendo Shara o nome aramaico do maciço de Seir.
Inicialmente, era representado apenas de forma abstrata, geralmente
um bloco retangular, com olhos e um nariz. Durante a ocupação
romana, Dhushara assumiu forma antropomórfica, que também se pode
ver em alguns santuários esculpidos na rocha em Petra e em seus
arredores.
Assim
como Yahweh, Sin e outros deuses da lua semíticos, Dhushara também
podia se relacionar com o touro do céu, cujo corpo era amontanha
sagrada e cujos chifres eram a lua crescente. Dessa maneira, vemos
que o deus nabateu das montanhas tinha muito em comum com Yahweh, a
deidade dos israelitas, que parece ter sido o genius
loci
do Monte Horeb, ou monte Sinai, a montanha da lua.
A
Adoração a Vênus
A consorte
de Dushara é lembrada em Petra pelo nome árabe pré-islãmico,
al-Uzza, e representada por um bloco em um betil (beth-el, em
hebraico, que significa “Casa de Deus”) com olhos, nariz e também
boca. Ela era a personificação do planeta Vênus. Seu nome pode
originalmente ter derivado do acádico uz,
que significa “bode”. Esse era o principal animal sacrificado às
diversas formas de Vênus em todo o Oriente Próximo, onde além de
al-Uzza ela era conhecida como Allat, Astarte, Atargatis, Ishtar e
rabbat
al-thill,
“a Senhora do Rebanho”. O símbolo de Ishtar-Vênus era uma
estrela de sete pontas inscrita em um círculo, e esse símbolo foi
encontrado em duas estelas esculpidas desenterradas em Harã, ao
passo que na arte grega há uma forma de Vênus (ou Afrodite) que
aparece montada em um bode, o que mostra seu vínculo com a
promiscuidade sexual. Aliás, na tradição cristã primitiva,
Ishtar-Vênus evoluiu para a Prostituta da Babilônia que, no livro
do Apocalipse, segura a taça das abominações e cavalga a besta do
apocalipse, que tem sete chifres. Ainda hoje em Petra vendem-se aos
turistas estátuas de bronze de al-Uzza, ou Allat, segurando uma
taça.
Parece
haver uma relação direta entre a adoração a al-Uzza e o bode
expiatório que Aarão mandou a Azazel no Monte Seir. O ritual do
bode expiatório pode muito bem ser uma lembrança confusa de
holocaustos com bodes feitos a uma forma bem anterior de al-Uzza,
talvez ligada com a crença erudita de que Yahweh tinha uma consorte
chamada Asherath, simplesmente um outro nome de Allat, ou Astarte.
Nielsen
propôs que a paisagem entre Petra e Jebel Hilal (hilal
significa “lua nova”) era a localização original do deserto de
Sin, ao passo que o Jebel Al-Madhbah de Petra era a “Montanha da
Lua”, portanto a verdadeira localização do Monte Sinai. Nenhum
estudioso moderno parece ter levado suas teorias a sério, apesar das
provas esmagadoras que demonstram que Petra era a antiga Cades.
O
Monte de Santo Aarão
Não
se sabe quando exatamente começou-se a associar a Jebel Harûn o
profeta Aarão, Nabi Harun, na tradição maometana. O nome da
montanha deriva do nome de Aarão, do hebreu, Aharon
(aramaico haroun)
traduzido como haron,
significando “altivo, exaltado”, ou “montanha de força”,
insinuando que o irmão de Moisés tirou seu nome da montanha. O
curioso é que o apelido iídiche do nome hebraico Aarão é Arke, o
nome antigo de Petra, coincidência que não podemos ignorar.
Segundo
o Deuteronômio, a vida de Aarão terminou no monte Hor (hor
significa apenas “montanha”),
e tanto ele quanto Moisés foram destinados a serem torturados,
avistando a Terra Prometida, mas jamais tendo permissão para entrar
nela. Antes de sua morte, Moisés contemplou a herança dos
israelitas do alto do Monte Nebo, no cume de Fasga, na terra de Moab,
antes de morrer ali. Antes, Aarão havia sofrido o mesmo destino,
depois de contemplar a Terra Prometida do alto do monte Hor. Assim,
sabendo que do pico de Jebel Harûn tem-se uma vista ininterrupta do
que fica além do Wadi Arabah, ou seja, Israel e a Palestina
modernos, uma identificação com o monte Hor é perfeitamente
possível.
Andrew
Collins ouviu o relato de uma lenda antiga que falava da presença da
tumba do profeta em Jebel Harûn. De acordo com ela, Nabi Harûn veio
do Egito em um cavalo verde voador! Cada vez que os pés do corcel
tentavam tocar num pico de montanha, a montanha desmoronava devido ao
peso. Isso aconteceu seis vezes, até finalmente o cavalo e seu
cavaleiro chegarem a Jebel Harûn, onde o animal finalmente conseguiu
aterrizar sem problema.
Trata-se
claramente de uma história fantasiosa e, no entanto, seu desvio
extraordinário da história tradicional subentende algum tipo de
origem independente. O cavalo voador verde, suas tentativas de pousar
nos cumes e o fato de Jebel Harûn ser vista como a sétima montanha
(sete sendo um número importante na cosmologia do Oriente Próximo,
na qual está ligado a Vênus e à cor verde) tendem a sugerir que a
lenda original não estava absolutamente ligada a Aarão. O mais
provável é que se relacionasse com alguma deidade pagã muito
antiga que se confundiu com a figura de Aarão em uma data bastante
posterior.
A
montanha que mais se destaca como possível candidata a monte Seir é
Jebel Harun, o monte Hor da Bíblia. Contudo, não podemos afirmar
com certeza se também era o monte Shara, uma vez que o templo
nabateu em Petra conhecido omo Qasr el-Bint, e que se pensa ter sido
dedicado a Dhushara, tem orientação no sentido norte, na direção
da moderna Jebel esh-Shara, “a montanha da qual ele era Senhor”.
Os autores têm certeza que a Montanha de Deus, onde Moisés recebeu
os Dez Mandamentos e conversou com Yahweh, combina muito bem com o
Jebel al-Madhbah de Petra, o Lugar Alto, ao passo que monte Hor e o
monte Seir, onde aconteceu o ritual do bode expiatório, são, quase
certamente, Jebel Harûn.
Os
Pés de Deus
De
acordo com o livro do êxodo, Moisés permitiu que seu irmão Aarão,
os dois filhos mais velhos deste, Nadab e Abihu, e setenta anciãos,
subissem ao “monte” de Yahweh. Diz-se que, ao atingir um certo
nível da montanha, eles viram “o Deus de Israel; e sob seus pés
havia como um pavimento de safira, pura como se fosse o próprio
céu”. Confirma-se que esse evento ocorreu no monte Sinai pelo fato
de depois Moisés ter ascendido ou “subido”, ao mesmo “monte”
na ocasião em que obteve as Tábuas da Lei.
No
chamado Vale Secreto da Pequena Petra, pares de pés foram escavados
nas faces rochosas, em geral na base das montanhas. Seu tamanho
grande, e o fato de sempre aparecerem em posição ascendente,
implica com toda a possibilidade que representem os pés de deuses,
ou de um único deus, que se considerava habitar a região. Para os
beduínos, os pés escavados na rocha são um sinal de que o lugar é
santo e que eles devem tirar os sapatos antes de prosseguir, como é
de costume nas mesquitas.
Um
fator significativo sobre os pés gigantes encontrados nas rochas em
torno de Petra é que alguns deles parecem infinitamente mais antigos
que o período nabateu. Um par está dentre as esculturas neolíticas
de uma cabra selvagem perseguida por caçadores, que antecedem a era
dos sahsu e dos edomitas em milhares de anos.
O
Ódio de Temã / As Origens de Esaú
A
animosidade dirigida contra os povos do Edom por esses primeiros
profetas judeus, só pode ter surgido de rancor contra o fato de
Moisés ter recebido as leis de Israel de uma montanha sagrada na
terra de Edom, que também se pode chamar de “monte Farã” ou
“monte de Esaú”.
Depois
da conquista de Canaã, a Bíblia praticamente não fala mais na
montanha de Yahweh. O mais provável é que isso tenha ocorrido
porque as rígidas leis religiosas implementadas pelos reis israelitas
e judeus posteriores não permitiam mais que se citassem as práticas
hebraicas de seus antepassados, os edomitas, descendentes de Edom, ou
Esaú. Edom significa, simplesmente, vermelho, com toda probabilidade
por causa da cor predominantemente vermelha dos penhascos de arenito
de Petra e seus arredores. Assim, Esaú ou Edom era simplesmente
outro nome para o genius
loci
da cidade, ou o “espírito local”. Dessa maneira, “monte Farã”
e “monte de Esaú” eram apenas nomes alternativos do monte Sinai,
em outras palavras Jebel al-Madhbah.
Esaú
também era, aparentemente, homônimo de um deus ancestral da raça
humana chamado Usous, ao qual se refere Filo, um historiador de
Biblos, na costa do Levante, que viveu no reinado de Adriano,
imperador de Roma, por volta de 120-140 d.C. De acordo com Filo,
sanchoniatho (historiador fenício, por volta de 1200 a.C.) alegava
que Usous era “o inventor das roupas para o corpo que ele fazia das
peles dos animais selvagens que conseguia caçar.” a esse respeito,
podemos lembrar que o nome de Esaú em Hebreu significa “peludo”.
Parte II-d: Yahweh na Cidade de Pedra
Parte II-f: Conclusões sobre Deus
Parte II-d: Yahweh na Cidade de Pedra
Parte II-f: Conclusões sobre Deus
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Egito, Êxodo e Deus: Parte II-d: Yahweh na Cidade de Pedra
Esta
é uma pequena série de textos mostrando uma alternativa ao ponto de
vista consensual sobre o êxodo do Egito, o Egito e regiões próximas
nessa época e a formação da religião judaica, que por sua vez deu
origem ao cristianismo e ao islamismo. Os textos estão divididos em
duas partes. Esta segunda parte é dividida em seis partes menores.
Estes
textos são uma espécie de resumo, trechos retirados do livro
“TUTANCÂMON a verdade por trás do maior mistério da arqueologia”
(título original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald,
Editora Landscape, 2004. O livro é muito mais abrangente e detalhado
do que o mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista
alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as
referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais
prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos
autores. Quaisquer dúvidas ou pedidos de referências podem comentar
que responderei.
Estes
textos, obviamente, estão aquém do original, no entanto, conseguem
mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja
exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam
pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela
verdade.
A
primavera de Moisés
Se
examinarmos o folclore e as lendas das terras da Bíblia, surgem três
locais que alegam ser Ain Mûsa – A fonte de Moisés, onde Moisés
bateu bateu na rocha com sua vara. Eliminamos Jebel Mûsa como
provável local do Monte Sinai, e não há conexão direta entre a
Montanha de Deus e o Monte Nebo, apenas o Ain Mûsa, situado em Wadi
Mûsa, faz sentido do ponto de vista da narrativa bíblica.
O
tesouro do Faraó
Na
antiguidade, a água das nascentes de Wadi Mûsa fluíam através do
vale e forneciam uma fonte vital do precioso líquido para os
habitantes da cidade próxima de Petra, uma palavra grega que
significa “a rocha”. Trata-se principalmente de uma imensa
necrópole, que abrange um vale inteiro, fechado de todos os lados
por um círculo de altos cumes, os quais constituem parte do maciço
montanhoso de Seir. Contém cerca de 800 monumentos antigos, seja em
estilo clássico ou assírio, que datam, em sua maioria, do século
II a.C. até o século II d.C., e foram construídos por uma cultura
árabe relativamente desconhecida chamada nabateus, parentes dos
habitantes de Harã e dos mandeus. Acredita-se que em torno do século
IV a.C., os nabateus começaram sua longa ocupação de Petra. A mais
conhecida das grandes tumbas de Petra é a Khasneh el-Faroun, ou o
tesouro do faraó, que apareceu no filme Indiana
Jones e a última cruzada (1989).
As
águas de Meribá
O
fato de os nomes grego e hebreu de Petra ambos significarem “a
Rocha” parece ligá-la diretamente à história de Moisés batendo
na rocha e gerando as águas de Meribá em Cades. Em geral, Cades é
identificada com Ein-el-Qudeirat, um vilarejo em Neguev (ou Negueb,
ou Negev), pouco menos de cem quilômetros a oeste-nororeste de
Petra. Ali o nome Cades parece ter sido preservado no nome de uma
fonte local chamada Ein Qadis.
Rekem,
que também pode ser chamada Arke e Arce, é Petra, fato atestado não
só em relatos textuais antigos tanto de origem judaica quanto
cristã, mas também em inscrições nabateias recentemente
descobertas na entrada do Siq(termo árabe que significa “fissura”,
a entrada principal da cidade de Petra, conhecida como “Fissura de
Moisés”, ou “Garganta de Moisés”).
São
Gerônimo (333-420 d.C.), o venerado patriarca da Igreja, visitou
Petra, que identificou com “Cades
Barnea”,
ou seja, Cades, e falou de ver ali a tumba de Miriam, a irmã de
Moisés. Assim, sabendo-se pela Bíblia que ela morreu e foi
enterrada em Cades, esse local deve ser Petra, a antiga Rekem. Mais
importante ainda, Flávio Josefo declara que Miriam foi enterrada em
uma montanha “chamada Sin”, isso implica que o Monte Sinai deve
ficar nas cercanias de Petra. Ao entendermos isso, podemos facilmente
concluir que as lendas beduínas que ligavam a cidade de pedra à
filha do faraó baseiam-se em tradições ainda mais antigas com
relação à presença da tumba de Miriam no local. Foi ela quem
propôs à filha do faraó que o recém-nascido hebreu que a princesa
retirara da água fosse criado pela sua própria mãe.
A
rocha de Horeb
Depois
de os filhos de Israel entrarem no deserto de Sin, o livro do Êxodo
nos diz que eles montaram tendas em Rafidim, onde não havia água
para beber. As reclamações constantes fizeram Moisés implorar a
Yahweh que fizesse um milagre, porque o povo estava pronto para
matá-lo a pedradas se não pudessem beber água logo, ao que a
deidade respondeu:
Eu te esperarei junto à
rocha de Horeb, e tu baterás na rocha, e dela sairá água para o
povo. E Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel. E deu
a esse lugar o nome de Massa e Meriba, por causa da discussão dos
filhos de Israel e porque puseram Yahweh à prova, dizendo: Yahweh
está no meio de nós, ou não?
Os
historiadores bíblicos sempre presumiram que os dois relatos em que
Moisés faz fluir as águas de Massa e Meriba, ou Massá e Meribá,
referem-se a incidentes completamente diferentes – um ocorrido em
Horeb, no deserto de Sin, e outro que ocorreu em Cades. Mas parece
bem claro, ao se examinar as duas narrativas, que elas se referem a
um incidente apenas. Se for isso, Horeb e Cades são a mesma coisa, e
ambos devem ser identificados como Petra. Assim, depois de analisar
os vários candidatos possíveis a Montanha de Yahweh na paisagem em
torno da cidade de pedra, os autores são da opinião que o Sinai, ou
Horeb, só pode corresponder a dois possíveis candidatos. São Jebel
Harûn, que fica a sudeste do círculo de cumes que cercam Petra, e
Jebel Al-Madhbah, imediatamente a oeste da cidade de pedra.
A
defesa de Jebel Al-Madbah
Em
Jebel Al-Madhbah, um cume que se ergue a 1035 metros, há dois
obeliscos escavados no próprio leito rochoso, o que significa que
para criá-lo, toda a encosta da montanha precisou ser retirada. Esse
feito de engenharia extraordinário foi atingido cortando-se enormes
blocos retangulares de arenito de forma semelhante à retirada de
blocos de rocha das pedreiras do Planalto de Gizé no Egito.
O
altar do sacrifício
Al-Madhbah,
o Lugar Alto ou o Altar, é uma plataforma oval com cerca de 64 por
20 metros de extensão. Na margem oeste está um altar esculpido em um
banco de rocha, com 7,72 por 1,87 metros, e 98 cm de altura. À sua
esquerda, fica uma bacia circular escavada na superfície superior da
rocha, com um canal de drenagem que leva à uma piscina.
Inquestionavelmente, seu objetivo era coletar o sangue dos animais
sacrificados no Lugar Alto.
A
questão de quem foi o responsável pela construção do Lugar Alto é,
assim como o autor dos obeliscos no nível ligeiramente inferior,
objeto de pura especulação. Browning diz no tocante ao Lugar Alto:
Não se pode datar esse
santuário com precisão mas acredita-se que seja obra dos nabateus,
devido à alta qualidade do corte de pedra. Suas origens poderiam,
porém, ser mais antigas. Ele pode muito bem ser um altar muito
antigo, muito embora a disposição atual possa ser comparativamente
moderna.
De
igual importância é o alinhamento do Lugar Alto, pois seu altar de
pedra e degraus são orientados segundo um ângulo de 255 graus em
relação ao norte. Com isso, ele se situa diretamente em frente ao
pico mais setentrional de Jebel Harûn, que se pode ver erguendo-se
por trás de uma crista montanhosa chamada Jebel al-Barra, a qual
constitui o cume mais meridional de Umm al-Biyara.
Em
1927, o Dr. Ditlef Nielsen, professor dinamarquês de história
religiosa, viajou para Petra e passou algum tempo em Jebel
al-Madhbah. No dia 08 de abril daquele ano ele observou a lua
crescente descer encaixando-se exatamente em uma depressão em
formato de sela em uma parede de pedra, alinhada horizontalmente em
relação aos olhos do observador, sobre uma elevação nas
cercanias de Umm al-Biyara, virtualmente preenchendo toda a fissura,
um espetáculo que certamente os construtores do Lugar Alto pretendiam
que fosse visto apenas de lá.
A
data em que ocorreu esse alinhamento lunar também é interessante,
uma vez que era a semana antes da primeira lua cheia depois do
equinócio de primavera. Na tradição israelita a festa da Passagem
coincidia com a primeira lua cheia depois do equinócio de primavera.
Parte II-c: Construindo Deus
Parte II-e: As pegadas do deus da montanha
Parte II-c: Construindo Deus
Parte II-e: As pegadas do deus da montanha
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Egito, Êxodo e Deus: Parte II-c: Construindo Deus
Esta
é uma pequena série de textos mostrando uma alternativa ao ponto de
vista consensual sobre o êxodo do Egito, o Egito e regiões próximas
nessa época e a formação da religião judaica, que por sua vez deu
origem ao cristianismo e ao islamismo. Os textos estão divididos em
duas partes. Esta segunda parte é dividida em seis partes menores.
Estes
textos são uma espécie de resumo, trechos retirados do livro
“TUTANCÂMON a verdade por trás do maior mistério da arqueologia”
(título original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald,
Editora Landscape, 2004. O livro é muito mais abrangente e detalhado
do que o mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista
alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as
referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais
prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos
autores. Quaisquer dúvidas ou pedidos de referências podem comentar
que responderei.
Estes
textos, obviamente, estão aquém do original, no entanto, conseguem
mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja
exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam
pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela
verdade.
Parte II-c: Construindo Deus:
Um
bode expiatório para Azazel
Em
hebraico, se`ir significa “áspero” ou “peludo”, como o pêlo
de um bode montanhês. Seir era também a terra de Esaú, “o pai
dos edomitas no monte Seir”, que era o irmão mais velho de Jacó e
filho de Isaac, cujo pai era o patriarca Abraão. Esaú, ou Edom –
são a mesma pessoa -, era conhecido como “o peludo” (ish se`ir),
indicando que ele é meramente um aspecto do deus de Seir. Também
identifica-se com o “bode” (sa`ir), ou mais corretamente o bode
expiatório. Segundo o livro do Levítico:
E Aarão pegará o que
foi sorteado para Yahweh e o oferecerá como sacrifício pelo pecado.
Quanto ao bode que foi sorteado para Azazael, será colocado vivo
diante de Yahweh, para fazer a expiação, e depois será mandado
para Azazel do deserto.
Azazel
é um anjo caído, cujo nome passou a associar-se à palavra “bode
expiatório”, nas traduções bíblicas. Mas na verdade vem mais
provavelmente do acádio uz,
que significa “bode”. Dele afirmou-se: “Sua parte entre os
povos é Esaú, um povo que vive da espada, e sua parte entre os
animais é o bode. Os demônios [shedim] fazem parte de seu reino, e
na Bíblia são chamados de seirim;
ele e seu povo são denominados Seir”. Os seirim
mencionados
aqui não eram demônios, é claro, mas os povos nativos de Seir,
descendentes de Esaú, ou Edom.
O
monte Seir, então, seria o local original do ritual do bode
expiatório realizado por Aarão, e perpetuado a cada ano na festa
judaica do yom
kippur,
o Dia do perdão. Os estudiosos rabínicos na era medieval procuraram
dissociar essa prática arcaica de qualquer sacrifício feito ao deus
de Seir. Isso parece confirmar-se em uma afirmação feita por um
rabi judeu que deixou claro que “o bode expiatório não é (Deus
me livre!) uma oferenda de nós a ele [ou seja, o deus de Seir] mas
um ato de obediência a Deus.”
Então
, que deus seria exatamente esse deus de Seir? Ele está associado a Esaú,
e também com Edom, cujo nome significa simplesmente “vermelho”.
Esse nome de cor alega-se que deriva da conhecida história bíblica
na qual Esaú é enganado, vendendo sua progenitura a seu irmão
caçula Jacó, o qual lhe ofereceu algumas lentilhas vermelhas em
troca de seus direito. Mesmo assim, o verdadeiro objetivo dessa
parábola talvez seja justificar a animosidade que sempre existiu
entre os dois ramos distintos da família de Isaac.
O
fato de Aarão, o irmão de Moisés e sumo-sacerdote da tribo de
Levi, ter imolado o bode no monte Seir, na terra de Edom, onde os
registros egípcios falam de um lugar chamado “Yahweh na terra dos
shasu”, é interessantíssimo. Aí sim, talvez possamos encontrar
as raízes por traz da adoração de Yahweh. Como a Montanha de
Yahweh poderia, por uma lado, ter sido encarada como o assento, o
trono ou o santuário da deidade israelita, e por outro lado morada
do deus “pagão” de Seir?
Montanha
da Lua
Por
volta de 640 a.C., um homem chamado Josias foi ungido rei de Judá.
Ao contrário de vários antecessores seus que haviam caído na
idolatria, era seguidor fanático de Yahweh, e se diz ter “seguido
em tudo o comportamento de seu antepassado Davi, sem se desviar nem
para a direita nem para a esquerda”.
Josias
trouxe de volta a adoração a Yahweh como religião nacional e
tentou exterminar todas as formas de idolatria. Quaisquer práticas
religiosas ou trechos do Velho Testamento que ligassem o deus de
Israel à terra dos edomitas, os inimigos mortais dos israelitas,
teriam sido expurgados.
Diz-se que Amasias, seu
ancestral, Rei de Judá, depois de matar tantos “filhos de Seir”,
200 anos antes, trouxe de volta a Judá
[…] os deuses dos
filhos de Seir, e os adotou como seus próprios deuses, os adorou e
queimou incenso diante deles.
É
possível que Josias tenha instruído os copistas do Pentateuco para
dissociarem o culto a Yahweh de quaisquer referências ao deus
“pagão” de Seir, que dali para a frente foi transformado em
demônio chamado Azazel ou Edom. É plausível também que Josias
tenha eliminado quaisquer associações geográficas entre Seir e a
Montanha de Yahweh, na esperança de que isso purificasse a lembrança
da aliança entre Moisés e Yahweh no monte Sinai/Horeb. Se isso
tiver mesmo ocorrido, pode explicar melhor por que, tantas gerações
depois, o profeta Ezequiel, como “a palavra do Senhor”, falou tão
mal do monte Seir:
Estou contra ti, ó monte
Seir, e estenderei meu braço contra ti, e fazer de ti um deserto, um
lugar desabitado. Transformarei tuas cidades em ruínas, e tu serás
um deserto, e conhecerás que Eu sou o Senhor.
Parece
que as gerações posteriores de Judeus, de alguma maneira,
distanciaram-se da forma de adoração religiosa praticada pelos
edomitas, os descendentes de Esaú. Para tanto ódio ser canalizado
para esse fim, obviamente não se tratava apenas do fato de a
religião ser “pagã” , mas uma inversão da percepção dos
israelitas acerca da adoração de Yahweh. Em outras palavras, o deus
de Seir, não era entidade pagã coisa nenhuma. Ele era simplesmente
um aspecto de Yahweh, mas que, ao que parece, os israelitas e os
judeus que vieram depois viram como blasfemo. O que, então,
causava-lhes tamanho asco em relação a essa forma de adoração pré
mosaica dos hebreus? A resposta pode ser a associação bastante
íntima de Yahweh à lua.
À
procura de Sin
Antigamente,
a lua era considerada o mais antigo dos planetas, tendo precedido o
sol, como o dia segue a noite. Ela era considerada o elemento que
controlava os ciclos da natureza. Na antiga Mesopotâmia, o moderno
Iraque, ela era adorada com o nome de Sin, do sumério en-zu
ou
zu-en,
que significa “a senhora do conhecimento”, cujo templo principal
era em Ur, uma cidade importante situada na boca do rio Eufrates.
Porém,
os mais antigos adoradores de um deus lunar não eram fazendeiros que
aravam a terra, mas pastores nômades proto-aramaicos, falantes de
línguas semíticas, que perambulavam pelos desertos da Síria e da
Arábia, e eram os precursores dos madianitas e dos árabes
pré-islâmicos. No velho testamento, os arameus eram descendentes de
Aram, filho de Sem e tio-avô de Abraão cujos irmãos mais velhos
diz-se que se chamavam Nacor e Arã. Madiã, ancestral dos
madianitas, foi o quarto filho de Abraão, com Cetura, sua
“concubina”, com a qual tornou-se o pai de muitas nações.
Diz-se
que Abraão viveu por volta de 2000 a 1800 a.C., e que nasceu em “Ur
dos Caldeus”, situada na terra de Sanaar, segundo a Bíblia, antiga
Suméria. Ao que parece, a cidade bíblica de Ur deve ser
identificada com Urfa, antiga Edessa, no sudeste da Turquia.
Aparentemente ali ficava uma antiga cidade chamada Ursu em textos
sumerianos, acadianos e hititas. O mais interessante é que Urfa tem
seu próprio templo ao deus da lua Sin, ao passo que o termo
“caldeus” era simplesmente outro nome dos adoradores de estrelas
de Harã e Urfa, que eram conhecidos desde o oitavo século em diante
como sabianos ou sabeus.
O
primeiro filho de Abraão, Ismael, nascido de uma criada egípcia
chamada Hagar, ou Agar, foi o ancestral dos ismaelitas, ou povos
árabes. O segundo filho de Abraão, Isaac, filho de sua esposa,
Sara, estava destinado a ser o pai de Jacó, ancestral de todos os
israelitas, e Esaú, fundador das tribos edomitas.
Os
estudiosos da Bíblia viviam encafifados com esse negócio de Abraão
ter sido criado em “Ur dos Caldeus” e passado a juventude em
Harã, ambos grandes centros de veneração ao deus da lua Sin. Como
ele é considerado o primeiro grande patriarca, a possibilidade de
uma conexão entre o deus de Abraão e o deus da lua Sin é mesmo
fascinante. É fundamental nos certificarmos disso, uma vez que a
Montanha de Yahweh, sobre a qual moisés recebeu as Tábuas da Lei,
se chama Sinai, literalmente “de Sin” ou “da Lua”.
A
cidade de Sin
Harã
era chamada de “a cidade de Sin”. Os nativos de Harã acreditavam
que Adão, o primeiro homem, “era um profeta, enviado da lua, que
chamava as pessoas para adorarem a lua”. Mas desaprovam Set, o
filho de Adão, porque ele discordou do pai a respeito da adoração
à lua.
Acreditavam
que Abraão foi originalmente criado entre as duas seitas deles –
os adoradores de ídolos e os adoradores de estrelas – mas acabou
se voltando para os Hunafã,
ou seja, aqueles que eram contrários à fé.
Os
Deficientes da Lua
Também
é interessante examinar os mitos e lendas dos mandeanos, um povo que
era originário de Harã mas espalhou-se durante os últimos 1500
anos pelo baixo Irã e Iraque. Hoje em dia seus descendentes são os
árabes dos pântanos. Segundo a tradição mandeana, Bahram, o nome
que davam a Abraão, era originalmente um mandeano de Harã. Mas ao
ser circuncidado, ficou impuro. Bahram começou a adorar Yurba, um
espírito solar identificado com o Adonai hebreu, que estava sob as
ordens de Ruha, rainha das trevas. Dali por diante, ele destruiu
todos os ídolos do grande templo e seguiu para o deserto, e com eles
foram todos os impuros e “leprosos, e aqueles que eram deficientes
– e desses basran
Sira (deficientes
da lua) os descendentes são impuros e deficientes até a sétima
geração”.
Ele
escolheu o lado das trevas, e lutou contra os mandeanos, que prendia
e mandava circuncidar à força, tornando-os impuros como ele
próprio. Mas depois arrependeu-se, e o planeta Saturno disse-lhe que
sacrificasse seu filho (Isaac), porém, tendo se arrependido
verdadeiramente, recebeu permissão para libertar o filho e oferecer
um carneiro em seu lugar.
Festa
da Páscoa
Com
a origem e a natureza das festividades árabes em mente, descobrimos
que os hebreus, que também eram originalmente pastores nômades,
baseavam seu ano de doze meses (treze a cada três anos) no primeiro
aparecimento da lua nova, e realizavam todas as festas principais de
acordo com o calendário lunar. Como os árabes, começavam no
primeiro mês, Abib, moderno Nisan, com um festival da primavera,
coincidindo com o nascimento dos filhotes dos animais. Falamos aqui
da Páscoa, ainda hoje uma das três mais importantes festas do
calendário judaico. De acordo com o livro do Êxodo, o Pesah,
ou Passagem, comemora a noite que Yahweh “passou” sobre as casas
do hebreus para matar os primogênitos egípcios. De sua descrição
no livro do Êxodo, a origem do Pesah
claramente
evoluiu de um costume religioso arcaico semítico muito anterior, ao
qual aderiram os hebreus pré-mosaicos.
Como
as festividades do Pesah
eram
uma celebração noturna, que começava ao pôr-do-sol, culminava ao
alvorecer e era realizada na presença da deidade, elas só poderiam
ser identificadas com a lua cheia. Curiosamente, “a face de Yahweh”
e a “glória de Yahweh” são designações antigas da lua cheia.
O
principal animal imolado ao deus lunar na Arábia pré-islâmica era
o touro, tido por personificação do deus Sin, correspondendo a lua
crescente a seus chifres resplandescentes. Essa conexão entre a lua
a adoração ao touro também se reflete na religião hebraica, pois
no livro dos Números se diz que no 15º dia do sétimo mês (a lua
cheia coincidindo com o equinócio de outono) treze touros castrados
devem ser imolados a Yahweh, doze no segundo dia, onze no terceiro,
etc., até o sétimo dia, quando se devem imolar sete touros. Assim o
maior número de touros oferecidos em qualquer dia coincidiria com a
lua cheia, o número diminuindo conforme a lua minguava. Além disso,
treze é o número dos meses lunares em um ano; sete dias é um
quarto do ciclo lunar, ao passo que o número total de touros
imolados chega a setenta, o número de anciãos que Moisés permitiu
que subissem a Montanha de Yahweh.
Josias
tentou expurgar do Pentateuco elementos indesejáveis da fé original
de Yahweh, conforme praticada pelos edomitas, os filhos de Seir. Nas
partes onde não pôde remover sua conexão com os acontecimentos
bíblicos, eles foram denunciados como blasfemadores, idólatras e
asseclas de demônios dos seres diabólicos.
Montanha
da Lua
O
nome mandeano Sira ou Sera, da lua, é foneticamente tão semelhante
a Seir, o deus local que deu seu nome ao vale e à cadeia montanhosa
ao norte do Golfo de Aqaba, que não pode ser mera coincidência.
Sustentando esse vínculo está o fato de que tanto os nativos de
Harã quanto os mandeanos eram relacionados com os nabateanos, ou
nabateus, um povo falante de língua semítica que habitou o Seir do
século VI a.C. até a era do Império Romano. Ainda mais, sabe-se
que a grafia mandeana deriva do original nabateu,
demonstrando-se como o lugar chamado Seir pode muito bem ser uma
corruptela do mandeano “Sira”, ou “Sera”, ou vice-versa,
fazendo assim do monte Seir, como o monte Sinai, a “Montanha da
Lua”.
Parte II b: A Morada de “Deus”
Parte II-d: Yahweh na Cidade de Pedra
Parte II b: A Morada de “Deus”
Parte II-d: Yahweh na Cidade de Pedra
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