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quinta-feira, 5 de março de 2015

Decifra


 O que torna o outro interessante? Falarei por mim: O que me atrai é o erro, o diferente, o estrago. Nas palavras de William Maugham: "A perfeição tem um grave defeito: tende a ser enfadonha". Vou além: chega a ser irritante. A pessoa da moda - não por viver a moda mas por forjá-la -, a pessoa forçada, sem essência, vazia, não mostra nada se não essa casca na qual se envolve para “fazer sucesso”. Essa obviedade entediante, dissimulada: uma máscara, fraca e apática.

 São as particularidades que me fazem querer entender, conhecer. As atitudes loucas, as que fogem do senso comum.

A obviedade, a lógica preguiçosa, é fácil perceber. Mas a diferença... isso instiga. A dificuldade em conhecer e entender o outro, isso me acaba e me encanta. É um prazer doloroso – ou uma dor prazerosa.

 As similaridades aproximam, mas as peculiaridades fascinam - ou afugentam, claro, dependendo do quê e da intensidade. Assim, essas particularidades devem estar em consonância com as necessidades, em alguma medida.

 O cabelo perfeito, com a roupa perfeita, o comportamento perfeito, o sorriso perfeito... o perfeito chato. Mas aquele olhar que você não decifra, o jeito de andar, o pensamento que dá voltas por caminhos que você nunca imaginou: isso, sim, fascina.

 “Decifra-me ou te devoro”. Quero o que não se decifra fácil, e devoro - e quero devorar - enquanto decifro. O que eu já sei me entedia. Não é que eu busque o novo: nada disso. Gosto do complexo, das tonalidades e tensões que compõem a obra toda. Dos leves gostos perdidos no todo, os quais você tenta reconhecer, e eles ficam na ponta da língua e te fazem querer mais.

 É claro que não é do mesmo jeito com todo mundo. Há pessoas que são apaixonadas por esse ideal de... de seja lá o que for. Parece-me que pessoas pequenas de espírito é que se atraem por essa falta de “personalidade”. Essas, querem controlar – e um controle fácil: pessoas fracas.

 Gosto da autenticidade, da força, da personalidade de verdade. Gosto da pessoa realmente humana. Com todas suas excentricidades e disparates. O cheiro de carne e sangue, não o de plástico.

 Sinto-me um desbravador - ou pirata. Busco o horizonte, a luta, a vida. Sem medo, sem arrependimento, sem volta.

 Em suma: o que atrai - as pessoas de verdade – não é a perfeição. É o defeito. O defeito tolerável, sim - cada um com seus limites. Mas é ele que atrai e prende. Que venha o defeito, que o que vem é perfeição.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Recanto das Letras

http://www.recantodasletras.com.br/autores/sandman

domingo, 3 de julho de 2011

Drogar-se ou não drogar-se? Eis a questão:

Qual a motivação de alguém que luta uma batalha que o resultado já é bastante previsível? Mais: qual a motivação para CRIAR essa guerra e se esforçar tanto em sua manutenção diante não mais de previsões, mas de resultados concretos, de derrota após derrota? Não pode ser simples ignorância, é absurdo pensar que somos governados por pessoas sem o mínimo de pensamento lógico, que nossos representantes, em sua maioria, são tão incompetentes e ignóbeis quanto tentam manter a população que representam. Será que a imagem de que a população em sua coletividade é estúpida, força nossos líderes a se mostrarem estúpidos para serem aceitos como verdadeiro reflexo de seus eleitores e assim continuar no poder?

 Acho que não. É uma estranha e triste coincidência que grandes “mentes pensantes” de repente, quando chegam aos jogos políticos, tenham sua visão tão estreitada e capacidade de reflexão tão engessada.  Unindo meu otimismo com a vontade de não ser ingênuo em subestimar as pessoas, a conclusão é que há um motivo, e que seu objetivo é tão filantrópico quanto ingênuo.

 Então, vamos às teorias conspiratórias:

“A indústria Norte-americana do nylon (derivado do petróleo), teme a concorrência com o tecido de cânhamo: três vezes mais durável, dez vezes mais forte que o algodão, natural em contraposição ao nylon, ecológico, rende muito mais que o algodão, cresce mais rápido, é mais barato, produz muito em pequena propriedade, recebe melhor os pigmentos, um tecido que respira mais...
A Nylon Du Pont foi quem financiou a campanha de difamação da Cannabis, financiou parlamentares pra criarem Leis proibindo-a. O Sr. Lammont Du Pont financiou a cadeia de jornais de Bill Hearst, comprador dos químicos da industria Du Pont, para atingir a opinião pública.
Andrew Mellon, proprietário da petrolífera Gulf Oil, Secretário do Tesouro dos EUA, emprestou dinheiro à Du Pont pra comprar a General Motors e forçou o Congresso a aprovar Leis pra criminalizar a maconha e pra diminuir impostos às petrolíferas... Petróleo gerador do nylon.” (retirado de: http://eunamatrix.blogspot.com/2009/06/ignorancia-parte-2.html)

 Li outra matéria há alguns anos, dizendo que a proibição da maconha nos EUA foi uma forma de (legalmente) discriminar os mexicanos  que viviam no país (manter certo controle social) – que eram em sua maioria agricultores e tinham o hábito de fumar a planta –, além de alavancar a venda de jeans – em função de favores políticos -, já que a cannabis era uma comum matéria prima para a produção têxtil, tanto é que se especula que canvas - como são denominadas as telas para pintura em várias partes do mundo - seja uma corruptela da palavra cannabis, da qual as telas para pintura e velas de navios, por exemplo, eram confeccionadas antigamente.

 E uma das minhas preferidas: capitalismo. A política e os lucros obtidos com o tráfico de drogas possuem não só uma estreita, como também “amigável” relação: 1- alguns traficantes podem ter se tornado políticos ao longo do tempo; 2- alguns políticos podem ter ser se tornado traficantes ao longo do tempo. 3- traficantes e alguns políticos mantêm uma relação na qual ambos lucram.

 O tráfico de drogas existe com a força que tem hoje, por causa da campanha de guerra contra as drogas. Quanto mais dinheiro se investe em seu “combate”, mais investimento é feito também por parte dos traficantes na administração de seu tráfico, isso inclui refinamento nas operações, especialização nas várias áreas das quais o tráfico depende e a compra de armamento bélico, mercado que em boa parte é alimentado pelo tráfico, gerando um ciclo bastante cômodo. E mais dinheiro empregado pelo governo no combate às drogas significa menos dinheiro empregado em outras áreas, além de uma possibilidade a mais para oportunidades de desvio de dinheiro público. O usuário alimenta o tráfico? A proibição alimenta o tráfico. Um grande exemplo conhecido há muito é o da lei seca nos anos 1930 nos EUA, que tornou célebres e ricos muitos gângsteres da época - entre eles o mais conhecido deve ser Al Capone.

 A legalização ou descriminalização das drogas diminuiria drasticamente os lucros dos traficantes, que migrariam para outras atividades ilícitas: uma grande falácia. Os traficantes já usam o dinheiro obtido com o tráfico para financiar crimes em outras áreas, e muitas vezes outros tipos de crimes são cometidos em função do tráfico de drogas. Mesmo que houvesse um aumento na prática de alguns crimes, o dinheiro jogado fora no combate às drogas poderia ser empregado no combate a esses crimes, com mais foco e eficiência. Digo “dinheiro jogado fora”, porque se esses investimentos realmente trouxessem um resultado desfavorável aos traficantes, não veríamos o crescimento e o aperfeiçoamento do tráfico ao longo dos anos.

 O tráfico provavelmente continuaria existindo com a legalização das drogas, mas em uma escala muito menor, porque já não compensaria tanto investimento na atividade nem no combate a ela. Seria algo como o contrabando de bebidas, cigarros, e produtos falsificados, que são um problema por sua qualidade, mas principalmente para os cofres públicos que deixam de arrecadar milhões com essa prática. Isso me leva a conclusão de que se existe algo que o governo permite, alguma parte de bastante influência está ganhando com a atividade.

 Muitos defendem que a maconha é uma porta de entrada para outras drogas. Isso é verdade, apenas porque o traficante que vende a maconha, também quer vendar a sua cocaína, o seu crack e qualquer outra coisa que lhe traga lucro. Apesar de não possuir vícios, sou um usuário esporádico de bebida alcoólica (como a coisa parece bem mais pesada posta dessa forma, não é?), sou a favor da descriminalização de quaisquer drogas, porque com controle sobre seu uso, o governo poderia aproximar as pessoas para um tratamento, ao invés de empurrá-las cada vez mais para perto dos traficantes. Além de que considero injusta essa proibição conveniente de drogas. Vamos proibir o uso das drogas? Então vamos definitivamente proibir o uso das drogas, aí podemos criar mais prisões e abarrotá-las ainda mais de gente. E você que sofre de enxaquecas, por exemplo, vai ser atirado atrás das grades se tomar alguma droga que alivie seu sofrimento e traga mais conforto e qualidade para sua vida.

 Dizer que o afrouxamento nas restrições às drogas influenciaria as pessoas em seu uso, é o mesmo que dizer que a liberação de drogas como bebidas alcoólicas, tabaco e café, por exemplo, incentiva as pessoas ao uso dos mesmos. É muito mais uma questão de informação e formação sócio-cultural do que qualquer outro fator que leva ao uso ou não-uso dessas substâncias.

 O foco de qualquer sociedade que aspira progresso deve ser a educação, a real conscientização do que é e do que deixa de ser, não uma oposição baseada no que alguns interessados simplesmente desejam que se acredite porque lhes é conveniente. É importante esclarecer as coisas, nunca mentir ou manipular dados. Maconha não mata, mas pode viciar, assim como o chocolate – substância psicoativa mais consumida no mundo -, ou o álcool – mas esse podendo levar à morte inclusive por intoxicação.

 Talvez se discuta tanto hoje em dia sobre a liberação da maconha, em boa parte pela pressão da indústria que visa lucros, na produção têxtil, de combustíveis, medicamentos e outros produtos industrializados que podem ser obtidos por meio da planta. E tudo isso com menor custo e maiores benefícios, já que o cultivo da cannabis ativa não necessita de agrotóxicos, cresce à grande velocidade, e toda a planta, desde suas sementes, pode ser aproveitada. Lucros que os governos não querem deixar de ganhar. Apesar de ser por motivos pouco nobres, espero que essa discussão, no final contribua para o amadurecimento da sociedade, mesmo que esse não seja o foco principal.

 Não apoio o uso de drogas, sou contra quaisquer vícios, mas antes, sou a favor da coerência e contra preconceitos em geral. Não sou viciado em qualquer droga, estou ciente dos males que causam, no entanto estou ciente dos males que causam o seu combate e dos benefícios que elas trazem em determinados usos. Um mundo sem drogas NUNCA existiu e nunca vai existir. Você, viciado em aspirinas ou descongestionantes nasais é um “drogado”, dependente de substâncias que trazem riscos à sua saúde sim, mas você é um usuário de drogas legais. Por isso você é menos “drogado”? Não, apenas as drogas são diferentes (para quem se interessa pelo assunto, sendo contra ou a favor, sugiro que assista ao documentário quebrando o tabu, atualmente nos cinemas).

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cuidado com os sentimentos

 Sim, é necessário cuidado com os sentimentos. Alguns significados de cuidar: cogitar; pensar; meditar; refletir; interessar-se por; interessar-se com; reparar. As pessoas costumam usar essa palavra como um sinal de perigo, para manter distância. O medo é prejudicial, como já disse mestre Yoda: “O medo é o caminho para o lado negro. O medo leva a raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento”.

 Deixando o mestre jedi um pouco de lado, o medo nos impede de viver plenamente, existir é fácil, viver é bem mais complicado. Viver te faz correr riscos, você pode se machucar, mas quem quer viver enclausurado numa bolha? A questão é se vale a pena viver algo. Tudo vale à pena se a alma... Não! Ridículo! Ter o mínimo de bom-senso é necessário: têm coisas que realmente não valem à pena, todo mundo deve ter um repertório com alguns exemplos próprios, mesmo assim insistem em usar esses versos para justificar erros ou fingir um não-arrependimento – muitas vezes por antecipação. Com esses momentos que sentimos que algo não valeu à pena, o importante é aprender com a experiência, não errar novamente, o que não significa não arriscar, e sim calcular melhor os riscos. Essa é uma dica para administrar qualquer situação: riscos calculados.

 Só se vive uma vez – para os que crêem em outras vidas: só se vive uma vida de cada vez. Então faça essa vez valer à pena. Tem medo de morrer de amor? Mas quem vive para sempre? O que você deve perguntar-se é se vale à pena. Para isso é importante ter cuidado. Você gosta de alguém? Esse alguém te faz bem? Cuide desse sentimento. Esse alguém gosta de você? Cuide do sentimento dessa pessoa também. Pense a respeito, reflita, interesse-se. Isso não quer dizer manter distância, na verdade é aproximar-se, prestando a atenção necessária, e o quanto de atenção você vai dispensar acho que depende do quanto você se preocupa em “viver” esse momento.

 E como não sentir medo? É natural sentir medo, o que não devemos deixar, é que ele nos domine. Considero o medo intimamente ligado à confiança, se você confia, o medo não te atingirá. Se você não confia, isso se transformará em medo, e com medo tendemos a fazer coisas algumas vezes muito mais estúpidas do que com sua ausência. A maior confiança deve ser em você mesmo, e se essa confiança te levar a caminhos tortuosos, enquanto você tiver a consciência tranquila, sabendo que suas atitudes foram de acordo com o que você considera correto, que você agiu da forma que melhor pôde e, com outras pessoas, da forma como gostaria que agissem com você, pode ter certeza que se algo foi perdido nesse caminho escolhido, não foi importante, ou teve apenas a importância que deveria ter por determinado tempo, e agora sua vida pode seguir melhor. Sem olhar pra trás com nostalgia ou ressentimento, para quando olhar para o futuro não ter medo. E poder viver plenamente essa vida única, essa única vez.

Mas se lhe faltou um pouco de virtuosismo ou coragem nesses momentos de viver, talvez o resultado seja pelo menos em parte, um pouco do que você semeou. Aí talvez seja bom repensar um pouco suas atitudes, porque mais fácil é você mudar a você mesmo do que mudar o resto do mundo. Como já disse (aparentemente) Paulo Roberto Gaefke, num poema atribuído (indevidamente) a Carlos Drummond de Andrade: “o que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar".” – mesmo com as críticas ao texto depois que descobrem que a autoria não é de Drummond, acho grande a beleza dessa frase, e que é auto-ajuda apenas para quem acha que precisa de tal coisa ou para os pseudo-críticos de plantão, que adoram alfinetar a esmo. Para mim é um belo ponto de vista.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Fazer o melhor impossível

 Escolhi este título, pelas impossibilidades a que nos impomos algumas vezes – sem nos darmos conta dessa situação. Até onde pode aguentar um ser humano? Até onde lhe é possível. Todos nós temos um limite do que e quanto podemos suportar, física e metafisicamente falando. Cada um tem sua própria “cruz” a carregar, mas comparações entre uma pessoa e outra - levando apenas isso em consideração -, são absurdas, porque assim como diferem as “cruzes” em peso e tamanho, diferem também em força os ombros que as carregam.

 As pessoas cobram constantemente e desmedidamente, a si mesmas e a outras pessoas, sem parar pra pensar nos pormenores. Porque o importante é agir e ter sempre mais, seja do que for. A condição humana de certo modo parece que se resume a uma incontrolável, sádica e constante competição – mesmo que seja uma competição contra si mesmo, uma autoflagelação. Eu penso o quanto esse excesso de cobrança pode ser prejudicial. Precisamos ter metas, objetivos, e fazer o possível para alcançá-los. Mas o “possível” para uma pessoa não é necessariamente o “possível” para outra. A verdade é que sempre haverá alguém melhor ou mais forte – e isso é algo bastante difícil para uma pessoa orgulhosa admitir -, o que parece exceção a essa afirmação é marketing.

 Lembro-me de um trecho de “os sofrimentos do jovem Werther” de Joahan Wolfgang Von Goethe, em que Werther discute com Alberto sobre o suicídio. Alberto diz que é uma fraqueza, porque é muito mais fácil acabar com a vida do que suportá-la. O argumento já começa falho, pois levando em consideração o que afirmei anteriormente, há “vidas” e “vidas”. Werther rebate comparando o desespero do suicídio a uma doença mortal, que ataca, ao invés do corpo, o espírito. E que condenar uma pessoa por sucumbir a uma doença que seu corpo não pode suportar é uma idéia absurda, e assim também o é com o espírito. Mas o ponto para o qual quero chamar atenção aqui não é o suicídio, é o limite.

 As pessoas se culpam – e a outras pessoas também – por não conseguirem determinado bem – material ou não. Culpam-se por dizerem algo que acham que não deveriam ter dito. Culpam-se por fazerem algo que acham que não deveriam ter feito. Condenam a si e a outros constantemente. O que realmente deveria importar é se você fez tudo o que lhe foi possível fazer, para determinada situação em determinado momento. Como você pode condenar alguém por não fazer algo que não lhe era possível fazer? Eu comparo esta situação a um balde sendo cheio de água – acho que muitas vezes essas analogias são disparates, como costuma acontecer bastante em alguns “provérbios chineses”, mas neste caso acho que a analogia funciona bem -, em um certo momento esse balde vai transbordar, e você vai culpar o balde por não suportar toda a água que foi jogada sobre ele? O balde suportou o quanto lhe foi possível.

 O importante é fazer o melhor que se pode fazer. Nessa questão, o melhor torna-se um tanto subjetivo, porque depende de fatores como noção de certo e errado, moral, ética, etc.. Mas VOCÊ sabe – ou deveria começar a perceber – que faz o melhor que pode. Quem perde pelo simples prazer de perder? O melhor que podemos fazer nem sempre é o melhor que achamos que poderia ser feito, mas é sensato lamentar-se por isso? E como saber o que é possível? Bom, isso me lembra La Place, Newton e Hawking. E fica para outro texto, sobre possibilidades.

 Fazer o que se considera correto, sem culpa, e não conflitando seus ideais e interesses, acho um bom modo de se fazer o melhor possível. Seu balde transbordou? É a natureza das coisas. Aceite o que for inevitável, e faça o melhor que lhe for possível fazer.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Pode contar comigo! ¬¬

 Ah! A amizade! Que nobre é o sentimento de fraternidade! Que nobre é doar-se! Seu tempo, seu espaço, sua alma. E sem esperar nada em troca. Talvez, no máximo, reciprocidade. Não! Não espere coisa alguma. Ninguém lhe deve nada. Nem consideração. Espere ser procurado quando você for necessário para alguém. Espere encontrar costas viradas em sua direção, sem nem saber o motivo. Porque talvez nem tenha um motivo. Talvez você apenas tenha deixado de ser necessário. E o que mais esperar nesse mundo pragmático, capitalista, onde tudo, TUDO é descartável.
 Quase todo mundo tem aquele ombro no qual se apoiar, daquela pessoa que seu ombro também já apoiou tantas vezes. Que vai estar sempre ali pra segurar suas mãos quando elas estiverem a ponto de cortar seus próprios pulsos. Não! Hoje você está aqui, com seu peito aberto pra acolher todas as mágoas e dores. Amanhã você pode estar completamente sozinho - obviamente vou me abster de qualquer comentário de cunho religioso. E conte com isso, pois o mundo é repleto de certezas que são derrubadas todos os dias. Sua amiga, amigo, irmão, pai, filho, esposa... Palavras apenas. A verdade é que você nasce sozinho – mesmo os gêmeos siameses têm consciência independente -, morre sozinho e se pensar bem, vive sozinho. Se há algo que você pode contar que nunca vai te abandonar, é só o que há dentro de você. Engano-me. Nem isso. Algumas vezes você também abandona a si mesmo. E aí como se pode pensar em esperar uma atitude diferente de outra pessoa? Acredite no abandono. Não que ele acontece a todo o momento. Mas saiba que ele sempre vai estar ali, acompanhando, espreitando, sorrindo por cima de seu ombro amigo.
 Então não existe amizade? Existe. E é tão certa e inabalável quanto qualquer outro aspecto da vida. E o certo, é que você deve fortalecer muito suas pernas, porque amanhã pode ser que você dependa unicamente delas pra te sustentar, e como apoio nada além do seu próprio ombro. Também fortaleça sua mente, ou ao menos esteja preparado para o que pode vir. Não se trata de esperar o pior – acredite, sou um otimista -, mas sim de estar preparado. Isso te livra da decepção? Não. Mas pelo menos você já tem uma idéia do tamanho das feridas que terá de tratar.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Retirando o véu

 Enfim o caos! Meu trabalho está feito! Às vezes, você não sente que precisa movimentar as engrenagens da vida? Sim. Acho que todos precisamos sentir que surtimos efeitos no mundo. Bom? Ruim? Questão de percepção quando a intenção é apenas mover as rodas da vida. O importante é fazer. É claro que o objetivo deve ser primariamente construtivo. “De boas intenções o inferno está cheio”. Mas o que vale não é a intenção?rs
 As pessoas tendem a se enganar. Tendem a viver de aparência e mantê-la diante delas mesmas, porque não suportam a verdadeira imagem de seu reflexo no espelho. Gostam de enganar a si mesmas e que outros as ajudem a manter essas mentiras. Procuram constantemente apoio, e os “amigos”, na sua piedade e incapacidade de causar o mal necessário para que se faça o bem, apóiam as ilusões. Eu também devo ter as minhas, mas procuro sempre olhar lá no fundo obscuro da minha alma o que pode haver de pior, porque por melhor que eu seja – ou ache que eu seja – sei o que pode estar lá de verdade. E é muito mais fácil controlar os monstros quando os conhecemos. Como e quando quisermos controlá-los.
 Há um ditado que diz “a maioria das pessoas prefere ser arruinada pelo elogio a ser salva pela crítica”. Mas a crítica gera discórdia, discussão, dúvidas. Quem quer isso? Acho que eu quero. Não vou me acomodar diante de falácias e meias-verdades. Estou certo sempre? Não. E faço questão de saber quando estou errado. Mas seja capaz de me mostrar isso.
 Destruir para renovar. Você costuma dizer o que as pessoas precisam ouvir pra se sentir bem? Deixe-me adivinhar: não está funcionando. Porque você precisa dizer a verdade, cruel e avassaladora – não necessariamente com palavras cruéis, nem sempre. A pessoa talvez continue tentando se enganar, mas a semente da dúvida está plantada e o questionamento é o caminho para o crescimento.
Às vezes, precisamos ouvir o motor funcionando, mesmo em meio ao som de metal retorcendo e cheirando a queimado.
 Mas cuidado: às vezes, pode ser tédio apenas.rs

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O cavalheirismo do cafajeste; a canalhice do homem sincero

  Você já parou pra pensar que o cafajeste é o verdadeiro cavalheiro? E aquele cara sincero que sempre te diz toda a verdade é um canalha? Provavelmente essa troca de valores não seja proposital, mas na prática é mais ou menos isso o que acontece mesmo. Explico: o cafajeste mente o quanto achar necessário para manter a aparência que quiser ou alcançar seus objetivos. Nesse processo, relacionando-se com mulheres, faz com que cada uma se sinta especial, única, independente de quantas mulheres tenha. A mulher sofre, fica insegura, porque sabe que o cara é cafajeste. Lá no fundo sabe. Mas ao mesmo tempo acredita que deve ser paranoia, porque ele é super atencioso, a faz sentir tão bem e não teria coragem de brincar com os sentimentos alheios. Mesmo quando ele deixa transparecer que não tem um relacionamento sério, e que há outras mulheres em sua vida, ele diz o que cada uma quer e precisa ouvir para que sinta que com ela vai ser diferente.
  O homem sincero? No máximo omite e se você lhe perguntar se ele omite algo, te responderá que sim. Caso tenha outras mulheres, não esconderá. Deixará claro o que quer ou não de você. Se você for especial, ele dirá que você é. Se você for alguém que ele gosta, mas não quer um relacionamento com mais comprometimento, te dirá também. E qual o problema? A mulher se relaciona com ele se quiser, não é? Ninguém a obriga a ficar com alguém. O problema é quando esse homem sincero é um cara legal, gente boa, alguém com quem você quer se relacionar, ou acaba se tornando esse alguém.
  O cafajeste, no egoísmo de ter o que quer, acaba por ser cuidadoso com as outras pessoas. Sua falsidade preserva as mulheres, numa proteção construída com mentiras e ilusões, mas ainda assim, proteção. Parece horrível; e é. Mas quando se descobre as mentiras do cafajeste, a culpa é toda dele. A mulher é a vítima, enganada, usada e tem todo o direito de mostrar a esse homem o desprezo que tem por essa pessoa sem escrúpulos que ele é; e esse homem, culpado dessas mentiras, pode até continuar tentando mentir mais e mais, mas será sempre o vilão e a mulher levada pelas mentiras (ou que se deixa levar) será sempre a vítima.
  A sinceridade é uma virtude, mas uma virtude cruel. Ela retira o peso da responsabilidade. O homem que usa da sinceridade deixa com a mulher a decisão de continuar ou não, seja no tipo de relacionamento que for. Se ela decide, a culpa pelas consequências é dela, risco conhecido e assumido. Percebe a canalhice? A mulher não pode acusá-lo de mentir ou enganar. Ela não é vítima. É conivente. Deu certo? Que bom pra você :) Não deu? Paciência :/ A sinceridade, na tentativa de precaver o próximo, protege na verdade esse homem sincero.
  O cavalheiro protege a mulher, a deixa confortável, auxilia, assume riscos para protegê-la. E isso é o que o cafajestismo faz. A sinceridade é cruel. Eu? Pensando em tudo o que escrevi, não sou cavalheiro não. Tento ser o melhor possível. E é isso.