quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Egito, Êxodo e Deus: Parte II-d: Yahweh na Cidade de Pedra

 Esta é uma pequena série de textos mostrando uma alternativa ao ponto de vista consensual sobre o êxodo do Egito, o Egito e regiões próximas nessa época e a formação da religião judaica, que por sua vez deu origem ao cristianismo e ao islamismo. Os textos estão divididos em duas partes. Esta segunda parte é dividida em seis partes menores.
 Estes textos são uma espécie de resumo, trechos retirados do livro “TUTANCÂMON a verdade por trás do maior mistério da arqueologia” (título original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald, Editora Landscape, 2004. O livro é muito mais abrangente e detalhado do que o mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos autores. Quaisquer dúvidas ou pedidos de referências podem comentar que responderei.
 Estes textos, obviamente, estão aquém do original, no entanto, conseguem mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela verdade.



 A primavera de Moisés

 Se examinarmos o folclore e as lendas das terras da Bíblia, surgem três locais que alegam ser Ain Mûsa – A fonte de Moisés, onde Moisés bateu bateu na rocha com sua vara. Eliminamos Jebel Mûsa como provável local do Monte Sinai, e não há conexão direta entre a Montanha de Deus e o Monte Nebo, apenas o Ain Mûsa, situado em Wadi Mûsa, faz sentido do ponto de vista da narrativa bíblica.


 O tesouro do Faraó

 Na antiguidade, a água das nascentes de Wadi Mûsa fluíam através do vale e forneciam uma fonte vital do precioso líquido para os habitantes da cidade próxima de Petra, uma palavra grega que significa “a rocha”. Trata-se principalmente de uma imensa necrópole, que abrange um vale inteiro, fechado de todos os lados por um círculo de altos cumes, os quais constituem parte do maciço montanhoso de Seir. Contém cerca de 800 monumentos antigos, seja em estilo clássico ou assírio, que datam, em sua maioria, do século II a.C. até o século II d.C., e foram construídos por uma cultura árabe relativamente desconhecida chamada nabateus, parentes dos habitantes de Harã e dos mandeus. Acredita-se que em torno do século IV a.C., os nabateus começaram sua longa ocupação de Petra. A mais conhecida das grandes tumbas de Petra é a Khasneh el-Faroun, ou o tesouro do faraó, que apareceu no filme Indiana Jones e a última cruzada (1989).


 As águas de Meribá

 O fato de os nomes grego e hebreu de Petra ambos significarem “a Rocha” parece ligá-la diretamente à história de Moisés batendo na rocha e gerando as águas de Meribá em Cades. Em geral, Cades é identificada com Ein-el-Qudeirat, um vilarejo em Neguev (ou Negueb, ou Negev), pouco menos de cem quilômetros a oeste-nororeste de Petra. Ali o nome Cades parece ter sido preservado no nome de uma fonte local chamada Ein Qadis.

 Rekem, que também pode ser chamada Arke e Arce, é Petra, fato atestado não só em relatos textuais antigos tanto de origem judaica quanto cristã, mas também em inscrições nabateias recentemente descobertas na entrada do Siq(termo árabe que significa “fissura”, a entrada principal da cidade de Petra, conhecida como “Fissura de Moisés”, ou “Garganta de Moisés”).

 São Gerônimo (333-420 d.C.), o venerado patriarca da Igreja, visitou Petra, que identificou com “Cades Barnea”, ou seja, Cades, e falou de ver ali a tumba de Miriam, a irmã de Moisés. Assim, sabendo-se pela Bíblia que ela morreu e foi enterrada em Cades, esse local deve ser Petra, a antiga Rekem. Mais importante ainda, Flávio Josefo declara que Miriam foi enterrada em uma montanha “chamada Sin”, isso implica que o Monte Sinai deve ficar nas cercanias de Petra. Ao entendermos isso, podemos facilmente concluir que as lendas beduínas que ligavam a cidade de pedra à filha do faraó baseiam-se em tradições ainda mais antigas com relação à presença da tumba de Miriam no local. Foi ela quem propôs à filha do faraó que o recém-nascido hebreu que a princesa retirara da água fosse criado pela sua própria mãe.


 A rocha de Horeb

 Depois de os filhos de Israel entrarem no deserto de Sin, o livro do Êxodo nos diz que eles montaram tendas em Rafidim, onde não havia água para beber. As reclamações constantes fizeram Moisés implorar a Yahweh que fizesse um milagre, porque o povo estava pronto para matá-lo a pedradas se não pudessem beber água logo, ao que a deidade respondeu:

 Eu te esperarei junto à rocha de Horeb, e tu baterás na rocha, e dela sairá água para o povo. E Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel. E deu a esse lugar o nome de Massa e Meriba, por causa da discussão dos filhos de Israel e porque puseram Yahweh à prova, dizendo: Yahweh está no meio de nós, ou não?

 Os historiadores bíblicos sempre presumiram que os dois relatos em que Moisés faz fluir as águas de Massa e Meriba, ou Massá e Meribá, referem-se a incidentes completamente diferentes – um ocorrido em Horeb, no deserto de Sin, e outro que ocorreu em Cades. Mas parece bem claro, ao se examinar as duas narrativas, que elas se referem a um incidente apenas. Se for isso, Horeb e Cades são a mesma coisa, e ambos devem ser identificados como Petra. Assim, depois de analisar os vários candidatos possíveis a Montanha de Yahweh na paisagem em torno da cidade de pedra, os autores são da opinião que o Sinai, ou Horeb, só pode corresponder a dois possíveis candidatos. São Jebel Harûn, que fica a sudeste do círculo de cumes que cercam Petra, e Jebel Al-Madhbah, imediatamente a oeste da cidade de pedra.


 A defesa de Jebel Al-Madbah

 Em Jebel Al-Madhbah, um cume que se ergue a 1035 metros, há dois obeliscos escavados no próprio leito rochoso, o que significa que para criá-lo, toda a encosta da montanha precisou ser retirada. Esse feito de engenharia extraordinário foi atingido cortando-se enormes blocos retangulares de arenito de forma semelhante à retirada de blocos de rocha das pedreiras do Planalto de Gizé no Egito.

 O altar do sacrifício

 Al-Madhbah, o Lugar Alto ou o Altar, é uma plataforma oval com cerca de 64 por 20 metros de extensão. Na margem oeste está um altar esculpido em um banco de rocha, com 7,72 por 1,87 metros, e 98 cm de altura. À sua esquerda, fica uma bacia circular escavada na superfície superior da rocha, com um canal de drenagem que leva à uma piscina. Inquestionavelmente, seu objetivo era coletar o sangue dos animais sacrificados no Lugar Alto.

 A questão de quem foi o responsável pela construção do Lugar Alto é, assim como o autor dos obeliscos no nível ligeiramente inferior, objeto de pura especulação. Browning diz no tocante ao Lugar Alto:

Não se pode datar esse santuário com precisão mas acredita-se que seja obra dos nabateus, devido à alta qualidade do corte de pedra. Suas origens poderiam, porém, ser mais antigas. Ele pode muito bem ser um altar muito antigo, muito embora a disposição atual possa ser comparativamente moderna.

 De igual importância é o alinhamento do Lugar Alto, pois seu altar de pedra e degraus são orientados segundo um ângulo de 255 graus em relação ao norte. Com isso, ele se situa diretamente em frente ao pico mais setentrional de Jebel Harûn, que se pode ver erguendo-se por trás de uma crista montanhosa chamada Jebel al-Barra, a qual constitui o cume mais meridional de Umm al-Biyara.

 Em 1927, o Dr. Ditlef Nielsen, professor dinamarquês de história religiosa, viajou para Petra e passou algum tempo em Jebel al-Madhbah. No dia 08 de abril daquele ano ele observou a lua crescente descer encaixando-se exatamente em uma depressão em formato de sela em uma parede de pedra, alinhada horizontalmente em relação aos olhos do observador, sobre uma elevação nas cercanias de Umm al-Biyara, virtualmente preenchendo toda a fissura, um espetáculo que certamente os construtores do Lugar Alto pretendiam que fosse visto apenas de lá.

 A data em que ocorreu esse alinhamento lunar também é interessante, uma vez que era a semana antes da primeira lua cheia depois do equinócio de primavera. Na tradição israelita a festa da Passagem coincidia com a primeira lua cheia depois do equinócio de primavera. 


Parte II-c: Construindo Deus 
Parte II-e: As pegadas do deus da montanha 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Egito, Êxodo e Deus: Parte II-c: Construindo Deus

 Esta é uma pequena série de textos mostrando uma alternativa ao ponto de vista consensual sobre o êxodo do Egito, o Egito e regiões próximas nessa época e a formação da religião judaica, que por sua vez deu origem ao cristianismo e ao islamismo. Os textos estão divididos em duas partes. Esta segunda parte é dividida em seis partes menores.
 Estes textos são uma espécie de resumo, trechos retirados do livro “TUTANCÂMON a verdade por trás do maior mistério da arqueologia” (título original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald, Editora Landscape, 2004. O livro é muito mais abrangente e detalhado do que o mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos autores. Quaisquer dúvidas ou pedidos de referências podem comentar que responderei.
 Estes textos, obviamente, estão aquém do original, no entanto, conseguem mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela verdade.

 Parte II-c: Construindo Deus:

 Um bode expiatório para Azazel

 Em hebraico, se`ir significa “áspero” ou “peludo”, como o pêlo de um bode montanhês. Seir era também a terra de Esaú, “o pai dos edomitas no monte Seir”, que era o irmão mais velho de Jacó e filho de Isaac, cujo pai era o patriarca Abraão. Esaú, ou Edom – são a mesma pessoa -, era conhecido como “o peludo” (ish se`ir), indicando que ele é meramente um aspecto do deus de Seir. Também identifica-se com o “bode” (sa`ir), ou mais corretamente o bode expiatório. Segundo o livro do Levítico:

E Aarão pegará o que foi sorteado para Yahweh e o oferecerá como sacrifício pelo pecado. Quanto ao bode que foi sorteado para Azazael, será colocado vivo diante de Yahweh, para fazer a expiação, e depois será mandado para Azazel do deserto.

 Azazel é um anjo caído, cujo nome passou a associar-se à palavra “bode expiatório”, nas traduções bíblicas. Mas na verdade vem mais provavelmente do acádio uz, que significa “bode”. Dele afirmou-se: “Sua parte entre os povos é Esaú, um povo que vive da espada, e sua parte entre os animais é o bode. Os demônios [shedim] fazem parte de seu reino, e na Bíblia são chamados de seirim; ele e seu povo são denominados Seir”. Os seirim mencionados aqui não eram demônios, é claro, mas os povos nativos de Seir, descendentes de Esaú, ou Edom.

 O monte Seir, então, seria o local original do ritual do bode expiatório realizado por Aarão, e perpetuado a cada ano na festa judaica do yom kippur, o Dia do perdão. Os estudiosos rabínicos na era medieval procuraram dissociar essa prática arcaica de qualquer sacrifício feito ao deus de Seir. Isso parece confirmar-se em uma afirmação feita por um rabi judeu que deixou claro que “o bode expiatório não é (Deus me livre!) uma oferenda de nós a ele [ou seja, o deus de Seir] mas um ato de obediência a Deus.”

 Então , que deus seria exatamente esse deus de Seir? Ele está associado a Esaú, e também com Edom, cujo nome significa simplesmente “vermelho”. Esse nome de cor alega-se que deriva da conhecida história bíblica na qual Esaú é enganado, vendendo sua progenitura a seu irmão caçula Jacó, o qual lhe ofereceu algumas lentilhas vermelhas em troca de seus direito. Mesmo assim, o verdadeiro objetivo dessa parábola talvez seja justificar a animosidade que sempre existiu entre os dois ramos distintos da família de Isaac.

 O fato de Aarão, o irmão de Moisés e sumo-sacerdote da tribo de Levi, ter imolado o bode no monte Seir, na terra de Edom, onde os registros egípcios falam de um lugar chamado “Yahweh na terra dos shasu”, é interessantíssimo. Aí sim, talvez possamos encontrar as raízes por traz da adoração de Yahweh. Como a Montanha de Yahweh poderia, por uma lado, ter sido encarada como o assento, o trono ou o santuário da deidade israelita, e por outro lado morada do deus “pagão” de Seir?


 Montanha da Lua

 Por volta de 640 a.C., um homem chamado Josias foi ungido rei de Judá. Ao contrário de vários antecessores seus que haviam caído na idolatria, era seguidor fanático de Yahweh, e se diz ter “seguido em tudo o comportamento de seu antepassado Davi, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda”.

 Josias trouxe de volta a adoração a Yahweh como religião nacional e tentou exterminar todas as formas de idolatria. Quaisquer práticas religiosas ou trechos do Velho Testamento que ligassem o deus de Israel à terra dos edomitas, os inimigos mortais dos israelitas, teriam sido expurgados.
Diz-se que Amasias, seu ancestral, Rei de Judá, depois de matar tantos “filhos de Seir”, 200 anos antes, trouxe de volta a Judá

[…] os deuses dos filhos de Seir, e os adotou como seus próprios deuses, os adorou e queimou incenso diante deles.

 É possível que Josias tenha instruído os copistas do Pentateuco para dissociarem o culto a Yahweh de quaisquer referências ao deus “pagão” de Seir, que dali para a frente foi transformado em demônio chamado Azazel ou Edom. É plausível também que Josias tenha eliminado quaisquer associações geográficas entre Seir e a Montanha de Yahweh, na esperança de que isso purificasse a lembrança da aliança entre Moisés e Yahweh no monte Sinai/Horeb. Se isso tiver mesmo ocorrido, pode explicar melhor por que, tantas gerações depois, o profeta Ezequiel, como “a palavra do Senhor”, falou tão mal do monte Seir:

Estou contra ti, ó monte Seir, e estenderei meu braço contra ti, e fazer de ti um deserto, um lugar desabitado. Transformarei tuas cidades em ruínas, e tu serás um deserto, e conhecerás que Eu sou o Senhor.

 Parece que as gerações posteriores de Judeus, de alguma maneira, distanciaram-se da forma de adoração religiosa praticada pelos edomitas, os descendentes de Esaú. Para tanto ódio ser canalizado para esse fim, obviamente não se tratava apenas do fato de a religião ser “pagã” , mas uma inversão da percepção dos israelitas acerca da adoração de Yahweh. Em outras palavras, o deus de Seir, não era entidade pagã coisa nenhuma. Ele era simplesmente um aspecto de Yahweh, mas que, ao que parece, os israelitas e os judeus que vieram depois viram como blasfemo. O que, então, causava-lhes tamanho asco em relação a essa forma de adoração pré mosaica dos hebreus? A resposta pode ser a associação bastante íntima de Yahweh à lua.


 À procura de Sin

 Antigamente, a lua era considerada o mais antigo dos planetas, tendo precedido o sol, como o dia segue a noite. Ela era considerada o elemento que controlava os ciclos da natureza. Na antiga Mesopotâmia, o moderno Iraque, ela era adorada com o nome de Sin, do sumério en-zu ou zu-en, que significa “a senhora do conhecimento”, cujo templo principal era em Ur, uma cidade importante situada na boca do rio Eufrates.

 Porém, os mais antigos adoradores de um deus lunar não eram fazendeiros que aravam a terra, mas pastores nômades proto-aramaicos, falantes de línguas semíticas, que perambulavam pelos desertos da Síria e da Arábia, e eram os precursores dos madianitas e dos árabes pré-islâmicos. No velho testamento, os arameus eram descendentes de Aram, filho de Sem e tio-avô de Abraão cujos irmãos mais velhos diz-se que se chamavam Nacor e Arã. Madiã, ancestral dos madianitas, foi o quarto filho de Abraão, com Cetura, sua “concubina”, com a qual tornou-se o pai de muitas nações.

 Diz-se que Abraão viveu por volta de 2000 a 1800 a.C., e que nasceu em “Ur dos Caldeus”, situada na terra de Sanaar, segundo a Bíblia, antiga Suméria. Ao que parece, a cidade bíblica de Ur deve ser identificada com Urfa, antiga Edessa, no sudeste da Turquia. Aparentemente ali ficava uma antiga cidade chamada Ursu em textos sumerianos, acadianos e hititas. O mais interessante é que Urfa tem seu próprio templo ao deus da lua Sin, ao passo que o termo “caldeus” era simplesmente outro nome dos adoradores de estrelas de Harã e Urfa, que eram conhecidos desde o oitavo século em diante como sabianos ou sabeus.

 O primeiro filho de Abraão, Ismael, nascido de uma criada egípcia chamada Hagar, ou Agar, foi o ancestral dos ismaelitas, ou povos árabes. O segundo filho de Abraão, Isaac, filho de sua esposa, Sara, estava destinado a ser o pai de Jacó, ancestral de todos os israelitas, e Esaú, fundador das tribos edomitas.

 Os estudiosos da Bíblia viviam encafifados com esse negócio de Abraão ter sido criado em “Ur dos Caldeus” e passado a juventude em Harã, ambos grandes centros de veneração ao deus da lua Sin. Como ele é considerado o primeiro grande patriarca, a possibilidade de uma conexão entre o deus de Abraão e o deus da lua Sin é mesmo fascinante. É fundamental nos certificarmos disso, uma vez que a Montanha de Yahweh, sobre a qual moisés recebeu as Tábuas da Lei, se chama Sinai, literalmente “de Sin” ou “da Lua”.


 A cidade de Sin

 Harã era chamada de “a cidade de Sin”. Os nativos de Harã acreditavam que Adão, o primeiro homem, “era um profeta, enviado da lua, que chamava as pessoas para adorarem a lua”. Mas desaprovam Set, o filho de Adão, porque ele discordou do pai a respeito da adoração à lua.

 Acreditavam que Abraão foi originalmente criado entre as duas seitas deles – os adoradores de ídolos e os adoradores de estrelas – mas acabou se voltando para os Hunafã, ou seja, aqueles que eram contrários à fé.


 Os Deficientes da Lua

 Também é interessante examinar os mitos e lendas dos mandeanos, um povo que era originário de Harã mas espalhou-se durante os últimos 1500 anos pelo baixo Irã e Iraque. Hoje em dia seus descendentes são os árabes dos pântanos. Segundo a tradição mandeana, Bahram, o nome que davam a Abraão, era originalmente um mandeano de Harã. Mas ao ser circuncidado, ficou impuro. Bahram começou a adorar Yurba, um espírito solar identificado com o Adonai hebreu, que estava sob as ordens de Ruha, rainha das trevas. Dali por diante, ele destruiu todos os ídolos do grande templo e seguiu para o deserto, e com eles foram todos os impuros e “leprosos, e aqueles que eram deficientes – e desses basran Sira (deficientes da lua) os descendentes são impuros e deficientes até a sétima geração”.

 Ele escolheu o lado das trevas, e lutou contra os mandeanos, que prendia e mandava circuncidar à força, tornando-os impuros como ele próprio. Mas depois arrependeu-se, e o planeta Saturno disse-lhe que sacrificasse seu filho (Isaac), porém, tendo se arrependido verdadeiramente, recebeu permissão para libertar o filho e oferecer um carneiro em seu lugar.


 Festa da Páscoa

 Com a origem e a natureza das festividades árabes em mente, descobrimos que os hebreus, que também eram originalmente pastores nômades, baseavam seu ano de doze meses (treze a cada três anos) no primeiro aparecimento da lua nova, e realizavam todas as festas principais de acordo com o calendário lunar. Como os árabes, começavam no primeiro mês, Abib, moderno Nisan, com um festival da primavera, coincidindo com o nascimento dos filhotes dos animais. Falamos aqui da Páscoa, ainda hoje uma das três mais importantes festas do calendário judaico. De acordo com o livro do Êxodo, o Pesah, ou Passagem, comemora a noite que Yahweh “passou” sobre as casas do hebreus para matar os primogênitos egípcios. De sua descrição no livro do Êxodo, a origem do Pesah claramente evoluiu de um costume religioso arcaico semítico muito anterior, ao qual aderiram os hebreus pré-mosaicos.

 Como as festividades do Pesah eram uma celebração noturna, que começava ao pôr-do-sol, culminava ao alvorecer e era realizada na presença da deidade, elas só poderiam ser identificadas com a lua cheia. Curiosamente, “a face de Yahweh” e a “glória de Yahweh” são designações antigas da lua cheia.

 O principal animal imolado ao deus lunar na Arábia pré-islâmica era o touro, tido por personificação do deus Sin, correspondendo a lua crescente a seus chifres resplandescentes. Essa conexão entre a lua a adoração ao touro também se reflete na religião hebraica, pois no livro dos Números se diz que no 15º dia do sétimo mês (a lua cheia coincidindo com o equinócio de outono) treze touros castrados devem ser imolados a Yahweh, doze no segundo dia, onze no terceiro, etc., até o sétimo dia, quando se devem imolar sete touros. Assim o maior número de touros oferecidos em qualquer dia coincidiria com a lua cheia, o número diminuindo conforme a lua minguava. Além disso, treze é o número dos meses lunares em um ano; sete dias é um quarto do ciclo lunar, ao passo que o número total de touros imolados chega a setenta, o número de anciãos que Moisés permitiu que subissem a Montanha de Yahweh.

 Josias tentou expurgar do Pentateuco elementos indesejáveis da fé original de Yahweh, conforme praticada pelos edomitas, os filhos de Seir. Nas partes onde não pôde remover sua conexão com os acontecimentos bíblicos, eles foram denunciados como blasfemadores, idólatras e asseclas de demônios dos seres diabólicos.


 Montanha da Lua

 O nome mandeano Sira ou Sera, da lua, é foneticamente tão semelhante a Seir, o deus local que deu seu nome ao vale e à cadeia montanhosa ao norte do Golfo de Aqaba, que não pode ser mera coincidência. Sustentando esse vínculo está o fato de que tanto os nativos de Harã quanto os mandeanos eram relacionados com os nabateanos, ou nabateus, um povo falante de língua semítica que habitou o Seir do século VI a.C. até a era do Império Romano. Ainda mais, sabe-se que a grafia mandeana deriva do original nabateu, demonstrando-se como o lugar chamado Seir pode muito bem ser uma corruptela do mandeano “Sira”, ou “Sera”, ou vice-versa, fazendo assim do monte Seir, como o monte Sinai, a “Montanha da Lua”.


Parte II b: A Morada de “Deus”  
Parte II-d: Yahweh na Cidade de Pedra 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Egito, Êxodo e Deus: Parte II b: A Morada de “Deus”

 Esta é uma pequena série de textos mostrando uma alternativa ao ponto de vista consensual sobre o êxodo do Egito, o Egito e regiões próximas nessa época e a formação da religião judaica, que por sua vez deu origem ao cristianismo e ao islamismo. Os textos estão divididos em duas partes. Esta segunda parte é dividida em seis partes menores.
 Estes textos são uma espécie de resumo, trechos retirados do livro “TUTANCÂMON a verdade por trás do maior mistério da arqueologia” (título original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald, Editora Landscape, 2004. O livro é muito mais abrangente e detalhado do que o mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos autores. Quaisquer dúvidas ou pedidos de referências podem comentar que responderei.
 Estes textos, obviamente, estão aquém do original, no entanto, conseguem mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela verdade.

 Parte II b: A Morada de “Deus”:

 Eu Sou Yahweh

 Yahweh, o tetragramaton, ou nome inefável de Deus, foi revelado pela primeira vez a Moisés, em Madiã, na terra dos madianitas, que a muito se sabe situar-se no norte da Arábia. Um dia, enquanto cuidava do rebanho de Jetro, seu sogro, ele foi “além do deserto” e chegou à “montanha de Deus, o monte Horeb”, que significa “Montanha do deserto”. Ali, viu o “anjo do senhor”, sob a forma de um arbusto ardendo em chamas que, no entanto, não o consumiam, e durante o encontro, perguntou à deidade qual era o seu nome, obtendo como resposta: “EU SOU AQUELE QUE SOU”, e ele disse “Assim deves dizer aos filhos de Israel, ´Yahweh, o deus de seus antepassados, falou comigo, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó”. Esse trecho do livro do Êxodo constitui a primeira revelação do nome Yahweh, ligando-o diretamente à montanha de Deus.

 Durante esse encontro com Yahweh, Moisés recebe a incumbência de voltar ao Egito, onde deve exigir do faraó que liberte a nação israelita. Mas isso simplesmente incita o faraó a causar ainda mais sofrimentos aos hebreus, e então Yahweh envia nova mensagem, na qual proclama:

Eu sou Javé [ou seja, Yahweh], e apareci a Abraão, a Isaac e a Jacó como Deus Todo- Poderoso [El shaddai], mas não lhes dei a conhecer meu nome, Javé [ou Jeová, ou Yahweh].

 Essa declaração é importante, pois confirma a nós que, antes da primeira visita de Moisés “à montanha de Deus, ou Horeb”, o verdadeiro nome da deidade era desconhecido para ele. Antes, o deus dos israelitas era conhecido como epítetos como Adon (“senhor”), ou variações de El, o nome cananeu de Deus, como El shaddai, “Deus Todo-Poderoso” ou “El-elohe-Israel, “o poderoso, Deus de Israel”. A adoração a Deus por parte dos israelitas estava intimamente associada à Montanha de Deus conforme se deduz do “Cântico do Mar”, poema do livro do Êxodo, que comemora a libertação de Israel do exército do faraó. Nele, lemos:

Tu o conduzes e o plantas sobre o monte da tua herança,
O lugar em que fizeste teu trono, ó Javé,
No santuário que tuas mãos prepararam.

 Yahweh foi assim considerado o habitante por excelência da montanha, ou pelo menos de um santuário ou altar que se considerou ter sido erigido por ele mesmo (inferência talvez de que ninguém sabia qual sua fundação original, mostrando assim que sua origem seria divina).


 Monte Sinai

 Seguindo o Êxodo, depois que o povo saiu do Egito, o livro do Êxodo nos conta que Moisés voltou à Montanha Sagrada de Yahweh na companhia dos “filhos de Israel”. Dessa vez o local é introduzido inicialmente como “Monte Sinai”, muito embora o nome “monte Horeb” seja mais adiante usado na narrativa, demonstrando que são um e o mesmo lugar. Ali Deus revelou a Moisés as leis sagrada, que estavam inscritas em “duas tábuas da aliança, contendo os mandamentos divinos”.

 A procura pelo monte Horeb, ou monte Sinai, é extremamente antiga. Depois de acamparem ali por um ano, no início dos 40 anos dos israelitas no deserto, a bíblia não fala mais na montanha de Yahweh. Aliás, os israelitas, e os judeus, depois deles, parecem ignorar completamente a área, o que parece estranho, dado que foi ali que as leis divinas foram entregues a Moisés pelo próprio Deus. A única pessoa que se disse ter subido ao “monte Horeb, de Deus” depois dessa época foi o profeta Elias. Ali ele permaneceu em uma gruta durante 40 dias e 40 noites.


 Jebel Mûsa

 Existe uma longa tradição que liga Jebel Serbal com o lugar do Monte Sinai, que parece ser mais antiga ainda que a ligada a Jebel Mûsa. Porém, mesmo sendo antiga, essa tradição data apenas do final do período romano. Além do mais, há bons motivos para se presumir que algumas das lendas ligadas a Jebel Mûsa eram originalmente associadas a Jebel Serbal, que parece ter sido o local original de peregrinação durante os primeiros tempos cristãos. Alheios a esse conhecimento, cristãos e muçulmanos vêm de todo o mundo visitar Jebel Mûsa e orar no local onde Moisés recebeu as tábulas da Lei e o cavalo de Maomé, Boraq, supostamente subiu ao céu. O monte Sinai original não podia estar situado ao sul do Sinai por diversos motivos.


 A fuga do Egito

 Devemos presumir que o ponto de partida do êxodo foi, como faz crer o velho testamento, Ramsés, a antiga Pi-Ramese, moderna Tell-el-Dab`a, e seus arredores, a residência original dos reis da linhagem de Ramsés no Delta Oriental. Ali também era a terra de Goshen, e mesmo a cidade de Zoan, onde os hebreus moraram na época de José e Jacó. Além disso, sabemos que Tell ed-Dab`a era a capital dos hicsos, Avaris, que supostamente tornou-se residência dos “leprosos” e “impuros” sob a liderança de Osasirph-Moisés e dos “pastores”, antes de sua expulsão do Egito.

 No livro do Êxodo, diz-se que os israelitas viajaram de Rameses para Succot, a Tjekku egípcia, hoje em dia Tell el-Maskhuta, descansando diante do lago Timsah, no extremo leste do Wadi Tumilat, um leito de rio seco que vai de leste a oeste, o qual devem ter atravessado para atingir essa área. Essa conclusão faz sentido do ponto de vista do relato bíblico, que declara que, depois que o faraó “deixou o povo partir”,

[…] Deus os levou, não pelo caminho dos filisteus [da Palestina], que é o mais curto; mas achou que, diante da guerra, o povo poderia se arrepender e voltar para o Egito.


 O Itinerário do Êxodo

 Viajando para o sul, a partir do lago Timsah, passando pelos chamados Lagos Amargos, eles poderiam ter atingido a entrada do Golfo de Suez e continuando ao longo de sua margem leste até atingirem a península do Sinai. Só que ficavam ali as minas de cobre e turquesa tão preciosas para os egípcios e, portanto, toda a região estaria repleta de soldados, que os israelitas, uma vez mais, não queriam enfrentar. Muito mais provável é que o caminho do êxodo tenha sido do lago Timsah até os Lagos Amargos, os Marah bíblicos, que significa “amargo”, bem como o mais provável a yam-sûp, ou “mar dos juncos”, onde os israelitas conseguiram despistar o exército egípcio que os perseguia, liderado pelo próprio faraó. Uma vez em sua margem oriental, eles teriam viajado para leste, “para o deserto de shur”, ainda hoje conhecido como o caminho de shur. Dali eles podiam ter tomado a estrada antiga utilizada desde tempos imemoriais por comerciantes em caravanas e pastores nômades, tais como os shasu, deslocando-se entre o Egito e a Arábia. Seguindo essa estrada na direção sudeste, eles podiam ter viajado sem obstáculos, passando pelas cidades que hoje são Nakhel e Et-Tamad, até que a Bíblia nos diz que eles chegaram a “Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras, e acamparam junto às águas”.

 Embora alguns estudiosos da Bíblia coloquem Elim nas praias do Golfo de Suez, todas as indicações levam a crer que ficavam no Golfo de Aqaba, onde hoje encontra-se a estância hidromineral de Eilat, no Mar Vermelho. A palavra Elim é plural de El, que também se pode grafar Elat ou Elot, um lugar que o primeiro livros dos Reis, na Bíblia, nos diz que ficava “ao lado” de Ezion-Geber, onde a marinha de Salomão estava ancorada “na praia do Mar Vermelho, na terra de Edom”. Assim, Elot e Elim quase certamente são uma e a mesma coisa. Essa é a rota mais óbvia que Moisés e seus seguidores podem ter tomado, uma vez que pode ter sido essa mesma estrada que ele seguiu no caminho para a terra de Madiã e quando foi de lá para o Egito, sendo Madiã a terra que fica além das praias orientais do Golfo de Aqaba, às margens do qual se situava a Montanha de Yahweh.

 Depois de acamparem à beira das águas de Elim, o livro do êxodo nos diz que os israelitas retomaram a jornada e, no 15º dia do segundo mês depois de partirem do Egito, entraram “no deserto de Sin, que fica entre Elim e Sinai”. Depois de armarem suas tendas em um lugar chamado Rafidim, reclamaram de falta de água. Por isso diz-se que Moisés bateu com a vara na “rocha de Horeb”, da qual imediatamente fez jorrar água. Assim eles haviam atingido o Monte Horeb, a Montanha de Yahweh.

 Assim, seria o “deserto de Sin” o mesmo que “deserto do Sinai”, e por que eles pareceram ter atingido o Horeb, antes de partir outra vez e depois “chegarem ao monte” de novo? As respostas geográficas ficarão claras, mas é importante lembrar que há muitas incoerências, anacronismos e contradições no Pentateuco, o que indica que foi composto por diferentes autores, de diferentes formações, em épocas distintas.


 Defesa da Tese do Monte Seir

 Nem o livro do Êxodo, nem o livro dos números deixam claro onde ficava o deserto de Sin, ou do Sinai. A ligação entre o Sinai bíblico e o que conhecemos hoje como Península do Sinai foi estabelecida apenas na era cristã. O mais provável é que o monte Sinai, ou Horeb, ficasse em algum ponto além de Eilat, na entrada do Golfo de Aqaba, onde o maciço montanhoso de Seir, a terra dos shasu, estende-se na direção do Mar Morto.

 O poema de guerra conhecido como “cântico de Débora”, encontrado no livro dos juízes, proclama:

Eu vou cantar louvores ao senhor, Deus de Israel.
Senhor, quando saíste de Seir,
Avançando dos campos de Edom,
A terra tremia, o céu ribombava
E as nuvens se desfaziam em água.
Os montes se agitavam diante do Senhor, que vem do Sinai,
Diante do Senhor, o Deus de Israel.

 Se esse poema não se refere simplesmente ao ataque final sobre Canaã lançado pelos israelitas a partir do Seir, então ele se torna o lugar por excelência associado ao poder de Yahweh. Mais que isso, insinua que Sinai é apenas outro nome de Seir. Então, o que sabemos exatamente sobre Seir ou Edom, a terra dos shasu? Inscrições de textos egípcios conectam os shasu especificamente com o monte Seir, o principal cume da cadeia de Seir, e com Edom.


Parte II a: As primeiras tribos adoradoras de “Deus”  
Parte II-c: Construindo Deus  

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Egito, Êxodo e Deus: Parte II a: As primeiras tribos adoradoras de “Deus”

  Esta é uma pequena série de textos mostrando uma alternativa ao ponto de vista consensual sobre o êxodo do Egito, o Egito e regiões próximas nessa época e a formação da religião judaica, que por sua vez deu origem ao cristianismo e ao islamismo. Os textos estão divididos em duas partes. Esta segunda parte é dividida em seis partes menores.
  Estes textos são uma espécie de resumo, trechos retirados do livro “TUTANCÂMON a verdade por trás do maior mistério da arqueologia” (título original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald, Editora Landscape, 2004. O livro é muito mais abrangente e detalhado do que o mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos autores. Quaisquer dúvidas ou pedidos de referências podem comentar que responderei.
  Estes textos, obviamente, estão aquém do original, no entanto, conseguem mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela verdade.

Parte II a: As primeiras tribos adoradoras de “Deus”:

  A Procura Por Yahweh

  Nas profundezas do Sudão, o antigo reino da Núbia, Amenófis III, o pai de Aquenaton e Tutancâmon, construiu templos idênticos em Soleb; um para si, outro para sua Grande Esposa Real, Tiye. Em seu templo, dedicado ao deus Amon, está uma série de colunas nas quais se encontra inscrito um registro de nomes de lugares africanos e asiáticos, ou topônimos, como se diz. Entre eles se encontram três lugares “na terra dos shasu”, um dos quais é t3 ssw yhw, “Yahweh na terra dos shasu”. Yahweh, naturalmente, era o tetragrama, ou tetragramaton, o nome inefável do deus israelita; e mesmo assim, estava ligado aqui diretamente aos povos nômades shasu e sua terra natal no sul da Transjordânia, descrita textualmente como Seir ou Edom. Essa era a região de planaltos que se estendia entre o Golfo de Aqaba no sul e o Mar Morto, no norte, e os relatos egípcios referem-se a ela como “a terra dos shasu”.

  A referência acima a Yahweh é a mais antiga já registrada, de maneira que tentar entender a relação entre as tribos shasu e o deus dos israelitas torna-se essencial para podermos determinar as origens da raça israelita. Os shasu (nome derivado do egípcio s`sw, ou “vagar”) são citados na Estela de Merneptah, que data de cerca de 1220 a.C. Nela lemos que os “shasu de Edom” passaram “da fortaleza de Merneptah... aos poços da Casa de Atum” na cidade fronteiriça de Tjekku, a Sucot da Bíblia, na margem do Delta oriental, “para prover sua subsistência e a de seus rebanhos”.

  Os deslocamentos anuais dos shasu baseavam-se em conhecimento preciso das mudanças climáticas das estações. Durante o inverno, na estação chuvosa, eles acampavam nos abundantes pastos das estepes e planícies férteis da Transjordânia. Depois, no árido verão, quando eram comuns as secas, eles tocavam os rebanhos para as planícies litorâneas da Palestina, até o Delta Oriental, onde, ao que parece, seus deslocamentos eram rigorosamente monitorados. Mesmo assim, os shasu eram mais do que simples criadores de gado, deslocando seus rebanhos de carneiros e bois por milhares de quilômetros de terreno desértico todo ano, pois de alguma maneira eles se tornaram uma ameaça de grandes proporções para uma sucessão de reis egípcios da 18ª e da 19ª Dinastias.



  O Egito em Canaã

  Mesmo durante a era de Amenófis III e Aquenaton, no 14º século antes de Cristo, as autoridades egípcias temiam que os planaltos palestinos pudessem ser usados por revoltosos que planejassem uma insurreição. Por isso, trataram de colocar reis vassalos em Jerusalém, no sul, e Siquém, ao norte, para policiar as regiões em questão. Aliás, as cartas de Amarna deixam claro que as autoridades egípcias tramaram colocar em Jerusalém um governante ´Abdi-Heba, que anteriormente teria recebido treinamento militar no Egito. Jerusalém, assim, tornou-se uma cidade estratégica, com ampla influência egípcia, que incluía um templo antes situado no local onde agora se encontra o Mosteiro Dominicano francês de St. Étienne (São Estêvão). Escavações arqueológicas para determinar sua extensão e origem revelaram fragmentos de colunas de lótus e duas ânforas de alabastro, bem como partes de uma mesa de oferendas, uma estatueta de serpente e uma estela datando de uma época em torno do reinado de Merneptah (cerca de 1224-1214 a.C.)

  Uma das maiores pedras no sapato das autoridades egípcias eram os habiru das cartas de Amarna, ou ´apiru das inscrições egípcias. Eles eram povos falantes de língua semita, deslocados, que viajavam para cidades-estado e países vizinhos oferecendo seus serviços aos senhores de terras abastados. Mais importante é que se reuniam para formar exércitos mercenários que lutavam para qualquer príncipe de menor importância que lhes pagasse a maior quantia. Tinham suas próprias leis, e com ou sem apoio dos governantes locais aterrorizavam as cidades-estado cananeias, inclusive as que serviam ao Egito. A correspondência de Amarna está repleta de relatos de ataques milicianos habiru/´apiru e, em uma carta, ´Abdi-Heba, de Jerusalém, registra sua indignação contra o fato de as cidades de Ascalon (Ashkelon), Gezer e Lachish estarem dando guarida aos habiru/´apiru e lhes fornecendo suprimentos.


  Os Inimigos Shasu

  Ainda por cima, além dos abiru/´apiru, que se concentravam principalmente ao norte do país, uma das principais preocupações dos egípcios era o aumento da população das tribos shasu, mais ao sul, em especial durante o reinado de Horemheb, que aparentemente lançou uma ofensiva de grandes proporções contra os inimigos asiátios em mais ou menos 1320 a.C. Tendo se convertido em uma inconveniência a mais na Transjordânia, os clãs shasu começaram a penetrar na direção oeste, através de Arabá, e Negueb adentro, no norte do Sinai. Dali entraram em contato com cidades maiores ao longo da planície costeira, o que tornou-os uma ameaça em potencial para o Delta Oriental egípcio. Além dessas regiões, há referências a eles nos planaltos centrais em lugares como Magiddo, vale Jezreel e Beth Shean.

  Podemos fazer uma ideia do que eram os shasu nessa época por intermédio dos registros egípcios, que quase sempre se referiam a eles em contexto militar. Ou estão combatendo os exércitos egípcios na Síria-Palestina, ou aparecem como quadrilhas de assaltantes que agiam por conta própria. Um texto em papiro fala que os desfiladeiros das montanhas e trilhas de Canaã estão infestados deles, “ocultos nos arbustos”, “com expressões carregadas e corações impiedosos, que não dão ouvidos a discursos persuasivos”. Aliás, de acordo com o estudioso egípcio William Ward,

a visão que os egípcios tinham dos shasu parece ser, portanto, de uma bando de piratas, originários da transjordânia, que se podiam encontrar predominantemente desempenhando o duplo papel de mercenários ou bandoleiros que serviam ou atacavam nas cidades e rotas de caravanas de Canaã.

  Além disso, não devemos nos esquecer de que eles também eram pastores, e usavam essas mesmas rotas para ir de Edom ao Egito, onde seus rebanhos pastavam. Mais ainda, existem provas suficientes de que eles tinham suas próprias cidades, e podem ter estado envolvidos em operações de mineração no distrito minerador de Timna, cerca de 27 km ao norte do Golfo de Aqaba, a extensão leste do Mar Vermelho. Mas parece que as coisas pioraram para o lado deles, pois uma inscrição do ano I do reinado de Seti I (por volta de 1309-1291 a.C.) fala de um levante entre esses povos tribais:

Os inimigos shasu tramam rebelião. Seus líderes tribais se reuniram em um lugar, nos contrafortes de Khor [ou os hurritas, habitantes da Palestina Maior], e estão envolvidos em tumultos e distúrbios. Estão todos se matando entre si. Não respeitam as leis do palácio.

  Exatamente o que estava acontecendo, não se sabe até hoje. Essa insurreição, porém, levou Seti I a montar uma operação militar, que começou com a conquista da cidade de Pa-Kannan, a moderna Gaza. Dali ele avançou pela planície costeira até chegar ao Mar da Galiléia, aparentemente perseguindo shasu e habiru/´apiru, que com frequência se tornavam sinônimo uns dos outros. As cidade de Yanoam (mencionada na Estela da Vitória do reinado de Merneptah), Beth Shean e Hammath foram invadidas, até que finalmente ele bateu à porta das fortalezas hititas no norte da Síria. Foi uma série impressionante de vitórias, comemorada com relevos e inscrições nas muralhas do templo de Amon em Karnak.

  Apesar da aparente derrota nas mãos de Seti I, os clãs shasu pareciam apenas ter se tornado mais fortes e numerosos, pois começaram a ameaçar pra valer a parte montanhosa do país em torno de Siquém, ao norte. Também começaram a se infiltrar em outras regiões de Canaã, bem diante do litoral da Síria.

  Durante o reinado do filho de Seti, Ramsés II (cerca de 1290-1224 a.C.) ocorreram diversas campanhas militares, sendo a mais famosa a batalha contra os hititas em Cades, na Síria. Entretanto, Ramsés entrou no sul da Transjordânia, a terra de Edom, e ali derrotou inimigos do Egito, inclusive tribos shasu. Certamente, os relevos dos muros de Karnak (ou Carnac) comemoram os ataques de Ramsés a cidades costeiras como Ascalon (Ashkelon) e mostram shasu sendo aprisionados.

  Posteriormente, no início do século XII, ocorreram ataques aos “acampamentos” dos shasu situados no sul de Canaã, ordenados por Ramsés III (por volta de 1182-1151 a.C.). Uma vez mais eles parecem ter se revoltado e se tornado inconvenientes e impossíveis de se controlar, exigindo uma campanha militar para abrandá-los.

  De registros como esses, parece que por volta de 1320 a.C. até o fim do primeiro quartel do 12º século a.C., os shasu foram se tornando uma dor de cabeça de bom tamanho para as autoridades egípcias. Mas, e então, estariam os shasu associados ao grupo tribal chamado “Israel” na Estela da Vitória, que Merneptah diz ter “devastado”?


  Yahweh na Terra dos Shasu

  O topônimo shasu encontrado no templo de Soleb com o nome de “Yahweh” implica que tal tribo era seguidora do deus israelita. Mais ainda, como a referência a Yahweh parece estar ligada a uma cidade ou localidade, leva a crer que ali havia algum santuário desse deus – uma teoria proposta pela primeira vez em 1971 por Raphael Giveon, o maior especialista do mundo em shasu. Segundo suas especulações, “Yahweh na terra dos shasu” pode muito bem ter sido a origem do termo bíblico Beth Yahweh, ou Beth-El, “Casa de Deus”. Além disso, Giveon ainda propôs que a seu ver a pátria shasu deve ter sido muito importante, necessariamente, para o desenvolvimento da religião de Israel, e notadamente sua conexão com as montanhas sagradas. Ideias semelhantes surgiram já em 1947, de autoria do egiptólogo Bernhard Grdseloff, que percebeu que o topônimo Yahweh-shasu era talvez a referência extra-bíblica mais antiga existente tanto ao deus israelita quanto aos que veneravam essa divindade. De fato, como o egiptólogo Donald Redford já comentou em relação à importância do topônimo Yahweh-shasu:

há meio século admite-se que temos aqui o tetragrama, ou tetragramaton, com o nome do deus israelita “Yahweh” e se esse for o caso, como sem dúvida é, a passagem constitui uma indicação preciosíssima do paradeiro de um enclave que reverenciava esse deus, durante o final do século XV a.C.

  Ainda mais, o templo de Soleb, da época do reinado de Amenófis III, não é o único lugar onde se pode encontrar menção ao “Yahweh na Terra dos shasu”. Ele também aparece numa lista de mais ou menos 104 topônimos africanos e asiáticos, muito danificados, encontrada em um templo que data do reinado de Ramsés II, na cidade núbia de Amarah Oeste. Dentre eles estão seis nomes de lugares “na terra dos shasu”, inclusive, outra vez, “Yahweh na terra dos shasu”. Então, podemos afirmar que o registro de Soleb não é simplesmente uma leitura equivocada de outro nome, pois o encontramos em dois templos núbios distintos, construídos um 150 anos após o outro.

  Embora muitos topônimos que se danificaram estejam agora ilegíveis, o nome Israel não aparece no registro mais antigo de Soleb na época de Amenófis III. Não se menciona em parte alguma “a terra de Israel”. O que definitivamente consta das duas listas, a de Soleb e a de Amarah, são referências aos shasu. Como pelo menos alguns elementos entre os shasu teriam aparentemente sido adoradores de Yahweh, não é possível que Israel era uma só tribo ou clã específicos? Assim, Israel torna-se apenas um clã dentre as tribos shasu, e muito possivelmente o mais importante deles, pois parece ter crescido em importância suficientemente na época de Merneptah para ter sido incluído na lista de inimigos asiáticos encontrada na Estela da Vitória. Mais que isso, o fato de terem sido “devastados”, e “sua descendência aniquilada” mostra que seu líder, ou seus líderes, haviam representado uma ameaça significativa ao norte do império egípcio, exatamente o que aconteceu no caso dos shasu.

  Sempre se suspeitou da existência de uma relação entre os habiru/`apiru e os hebreus, embora não pareça ter existido convivência étnica, social nem geográfica dentre esses povos falantes de línguas semitas. Além do mais, parece certo que o termo hebreu, se deriva mesmo de habiru, simplesmente tornou-se uma espécie de xingamento, usado pelos egípcios e filisteus para descrever um certo tipo de inimigo asiático, e pouco ou nada tinha a ver com seu passado étnico. Apenas os shasu parecem se encaixar com a descrição dos filhos de Israel conforme dada na bíblia.


Parte I d: Castigo dos deuses: As pragas do Egito  
Parte II b: A Morada de “Deus”  

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Não comer carne é irracional

O vegetarianismo/veganismo é irracional, não consegui chegar a conclusão melhor. Os dois não são a mesma coisa, mas são bem próximos. Analisemos alguns argumentos para adotarmos uma alimentação livre de proteína animal e minhas respostas a eles:

A morte de animais
1 - Animais morrem. Eles morrem e se tornam alimento para outros animais e plantas. É assim, mesmo, que acontece.
2 - Grandes colheitas ceifam muitos animais que vivem por essas plantações, e tantos outros morrem pelo uso de agrotóxicos.

O impacto ambiental da pecuária.
1 - As grandes plantações ocupam boa parte do solo. É menos que a pecuária, mas ainda assim é bastante.
2 – Ameaçam a biodiversidade, já que foca-se na produção de uma ou duas culturas sazonais destruindo outras espécies que se encontravam no lugar da plantação, muitas vezes espécies das quais outros animais dependiam para sua existência.
3 – Os agrotóxicos – ou fertilizantes usados sem os devidos cuidados - usados contaminam o solo, a água, são absorvidos por outros animais e repassados a outros que fazem parte de sua cadeia alimentar. Ainda matam animais terrestres e peixes por contato direto.

Não é necessário consumir carne animal para viver
1 – Mais ou menos. Não precisamos de água tratada, medicamentos, fogo e muitas outras coisas para viver, mas, obviamente, há uma certa mudança na qualidade de vida. O ferro-heme, absorvido e processado muito mais facilmente pelo organismo não é encontrado em alimentos de origem vegetal, bem como a vitamina B-12 (escassa no reino vegetal).
2 – Apesar de muitas pessoas alegarem conseguir viver com boa saúde sem consumir alimentos de origem animal, não podemos pensar que todas as pessoas consigam (na verdade, é só pegar algum livro - ou procura algum artigo no google mesmo - de biologia animal para vermos que não é bem assim).

É mais saudável ser vegetariano
1 – Bom, se você não comer carne, provavelmente terá que complementar sua dieta com suplementos, o que não me parece uma atitude muito saudável.

Matar bilhões de animais para sustentar bilhões de outros animais não faz sentido
1 - Se o problema é a quantidade de animais mortos, então o problema a ser resolvido é o de controle de natalidade.
2 – Se o problema são as mortes, então o problema a ser resolvido é o desenvolvimento de um “soro da imortalidade”, porque tudo o que é vivo morre.

A crueldade com que se cria e mata os animais
1 – Aqui a questão é clamarmos por leis que impeçam esse tipo de tratamento com esses animais. Se você come ovos ou toma leite está contribuindo para esse sofrimento, também, pensando que esse é o estímulo para causar o sofrimento dos animais, o que não é verdade. Não é necessário criar nem matar com crueldade esses animais, o estímulo para o produtor é o quanto ele pode lucrar mais rapidamente, é a nossa estrutura sócio-econômica.

O único argumento que me parece válido é: “tenho dó de comer a carne dos bichinhos”. Aí vai fazer o quê? Tem dó? Então tem e não come, mas tenha consciência que é só isso. Argumento válido, mas irracional (sentimental).
Não coloquei referências porque acho que falei obviedades, ou coisas que não são nada difíceis de procurar rapidamente, mas se alguém achar necessário posso referenciar algumas. Atualizarei o post caso surjam novas indagações.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Perder a virgindade é Arte?

 Já viram a notícia sobre "Jovem estudante pretende perder a virgindade anal em performance artística"? Aqui está o link http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/entretenimento/2013/11/04/jovem-estudante-pretende-perder-a-virgindade-anal-em-performance-artistica.htm. Bem, aqui coloco minha opinião à respeito dessa "arte".

  Esse é o problema com essa "Arte" que pode ser mas também pode não ser, que depende de análise e blá blá blá... Quando tudo é Arte, nada é Arte. "Perder a virgindade é a última coisa que vai acontecer uma única vez na vida de uma pessoa", não, não é! Se essa é a intenção, mais contundente seria dar um tiro na cabeça e dizer que é Arte (ainda mais porque o conceito de morte é melhor definido do que o de virgindade). Ah, mas esse extremo é ridículo? Então de um tiro no seu braço, se crucifique pelado num fusca e saia por aí defendendo o seu corpo como suporte artístico de uma forma magnificamente estúpida. Agora qualquer "quebra" de paradigma é Arte? Isso é vocação pra ativismo. Uma coisa não exclui, necessariamente, a outra, mas são coisas diferentes.

  É importante para a Arte testar seus limites, forçá-la, desafiá-la e transgredi-la, mas nada garante que com isso se faça Arte. Podemos afirmar com certeza que são pesquisas, estudos, mas Arte seria o trabalho final, acabado, bem resolvido – quando possível reconhecê-lo assim -, não todas as tentativas que se fez no percurso. A Arte é trabalho, suor, estudo, ciência.

  Delimitar a Arte não é engessá-la, bem diferente disso, é não banalizá-la. Todos podem ser artistas? A princípio, sim. Mas todos são artistas? Não. Expressar, chocar, discutir, transgredir, ou seja lá o que for, não é Arte, ela pode fazer tudo isso, mas nada disso é um determinante para a Arte. Forma de expressão também não é Arte, é forma de expressão. E tempo de estudo não é sinônimo de qualidade do estudo, mas muitas pessoas têm dificuldade em reconhecer que , algumas vezes, o caminho que escolheram não é o mais adequado, que sua tese é furada; são incapazes de se rever, assumir erros - bem como acertos - para criar argumentos - ou produções/pesquisas artísticas - mais fortes e próximos da verdade; porque é bem mais fácil eu me abraçar à minha paixão do que raciocinar e talvez ter que abandonar alguns conceitos duvidosos nos quais trabalhei tanto.

  Valeria mais o rapaz da “obra” em questão estudar cinema e fazer um filme "pornô arte". Isso sim, bem mais coerente. Porque é diferente falarmos em Arte enquanto artes visuais e Arte enquanto “cinema”, assim como é diferente um vídeo-arte de um filme.

  Acho que o trabalho conceitual enquanto se resolve visualmente é válido como arte visual, com base na visualidade e completando seu processo artístico intelectualmente (é, isso eu “acho”, não estou afim de afirmar categoricamente e ter que discorrer mais sobre um assunto que não é o foco da discussão, o que não seria muito difícil). Mas o pensamento como suporte artístico? Será? Então é melhor fazer algo tipo ciência política, onde pode-se estudar cientificamente essas “transgressões” e ainda pensar suas implicações na sociedade e, sim, aí o pensamento é o suporte, que pode ser externalizado de várias formas (normalmente é por meios verbais ou escritos). Mas para quê, se eu posso simplesmente ler alguns livros e dar o brioco em público, né?

  Por favor, isso não é uma crítica a esse ou àquele tipo de Arte, ou uma forma de tentar agredir alguém, é uma crítica à pseudo-arte.