A maioria das pessoas ainda acredita nos boatos absurdos sobre finais macabros do episódio final de Caverna do Dragão. Aqui está uma entrevista gravada com o roteirista do desenho e em seguida o roteiro verdadeiro do último episódio em quadrinhos:
Contos, crônicas, poesias, literatura em geral. Textos próprios baseados nas experiências daquele intervalo que existe entre a realidade e a ficção, naquele sonho no qual você ainda está acordado.
sábado, 26 de outubro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Egito, Êxodo e Deus: Parte I d: Castigo dos deuses: As pragas do Egito
Esta é uma pequena série de textos
mostrando uma alternativa ao ponto de vista consensual sobre o êxodo
do Egito, o Egito nessa época e a formação da religião judaica
que por sua vez deu origem ao cristianismo e ao islamismo. Os textos
serão divididos em duas partes. A primeira parte será dividida em
quatro partes menores.
Estes textos são
uma espécie de resumo, trechos retirados do livro “TUTANCÂMON a
verdade por trás do maior mistério da arqueologia” (título
original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald, Editora
Landscape, 2004. o livro é muito mais abrangente e detalhado do que
mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista
alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as
referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais
prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos
autores. Quaisquer dúvidas ou pedido de referências, podem comentar
que responderei.
Estes textos,
obviamente, estão muito aquém do original, no entanto, conseguem
mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja
exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam
pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela
verdade.
Parte I d:
Castigo dos deuses: As pragas do Egito:
O Povo Impuro
Outras obras de diferentes escritores do período
helenístico posterior também contêm variações da forma egípcia
de vida de Moisés conforme relatada por Manetho. O gramático latino
Pompeu Trogo, em sua Historicae Philippicae, diz que Moisés
não era egípcio, mas filho de José, muito embora o culto que ele
tenha instituído em Jerusalém seja descrito como “sacra
Aegyptia”. Depois de terem roubado os tesouros sagrados dos templos
egípcios, Moisés e seus seguidores saíram do Egito, com o exército
do faraó no seu encalço. Porém, os egípcios foram obrigados a
voltar devido a tempestades terríveis. Entretanto, o motivo para o
êxodo do Egito é uma vez mais uma epidemia, que nessa ocasião se
descreve com maiores detalhes:
Mas quando os egípcios
foram expostos à sarna e à uma infecção de pele, e alertados por
um oráculo, expulsaram [Moisés] juntamente com os doentes para além
das fronteiras do Egito, para que a doença não se espalhasse para
um número maior de pessoas[...] E como ele se lembrasse de que
haviam sido expulsos do Egito devido ao medo do contágio, trataram
de não conviver com estranhos, para não se tornarem odiados pelos
nativos das terras por onde andavam pelo mesmo motivo. Essa regra,
que surgiu de uma causa específica, ele transformou gradativamente
em um costume e uma religião estabelecida.
Scota, A Filha do Faraó
De acordo com Rober Grosseteste, (por volta de
1175-1253),
No passado distante,
Scota, a filha do faraó, abandonou o Egito com o marido Gayel e um
séquito numeroso. Eles tinham ouvido falar das desgraças que
ocorreriam no Egito, e seguindo instruções ou oráculos dos deuses,
fugiram de certas pestes que deviam se desencadear. Depois de navegar
dessa forma pelos mares durante muitos dias, bastante transtornados,
finalmente conseguiram aportar em certa praia devido ao mau tempo.
Essa praia era a Espanha, onde Gaythelos e Scota
construíram uma cidadela chamada Brigância, às margens do rio
Ebro, no meio da qual se via uma enorme torre cercada por profundos
fossos. Uma geração ou pouco mais depois, dois filhos de Scota,
Hiber e Himec, partiram para Hibérnia, ou seja, a Irlanda. Os
habitantes que encontraram lá foram mortos ou escravizados, e depois
deram ao lugar o nome de Scota em homenagem à mãe. Curiosamente,
dizem que Scota trouxe consigo do Egito o “sedile regium”,
a Pedra Scone, usada nas coroações reais, que Eduardo I levou para
Londres (e devolveu em 1996 ao Castelo de Edimburgo, onde está até
hoje). De referências como essa, podemos ter certeza de que a
história não é apenas invenção medieval, mas uma lenda muito
mais antiga, baseada em alguma espécie de reminiscência histórica
distorcida de eventos reais.
Um País Amaldiçoado
Pode-se encontrar indícios importantes da
presença da peste em várias das centenas de cartas de Amarna
escritas por reis vassalos de Amenófis III, Aquenaton e Smenkhkare
durante seus reinados. Um tablete desses parece insinuar que a rainha Tiye, a própria mãe de Aquenaton, foi vítima da peste também. É
possível que o relato no livro do Êxodo sobre a morte do
primogênito de todos os egípcios na noite da Páscoa, imediatamente
depois do êxodo, tenha sido de certa maneira influenciado por essa
peste bastante real, que estava dizimando o Egito e o Oriente Próximo
na época. Teria o povo egípcio durante a era de Amarna chegado a
crer que a peste era alguma espécie de retribuição divina, causada
pelo fato de que os deuses depostos do velho panteão não estavam
sendo aplacados por oferendas e sacrifícios adequados? Não teria
alguém insinuado que, para aplacar os deuses furiosos, todos os
sacerdotes “impuros” e seguidores de Aton, bem como os colonos
asiáticos ou “estrangeiros”, que deviam estar espalhando a
doença, fossem reunidos e presos ou expulsos do Egito? Desconfiando
do que podia ocorrer, não teriam muitas dessas pessoas, tanto
egípcias quanto de origem asiáticas, resolvido sair do Egito, por
sua própria vontade, fugindo para a Síria -Palestina, onde
finalmente se integraram com os povos nativos? Será que depois
uniram-se a eles os que conseguiram fugir de Sile, a moderna Qantara,
fortaleza situada na fronteira entre o Delta Oriental e o Sinai, onde
criminosos e inimigos do rei ficaram escravizados durante o reinado
de Horemheb? Ele pode ser identificado como Orus, ou Or, na história
que Manetho conta sobre Osarsiph-Moisés, e é provável que tenha
sido o responsável por pelo menos alguns dos atos atribuídos a
Amenófis na narrativa do êxodo.
Em outras palavras, pelo menos uma porcentagem
dos eventos que Manetho descreve realmente ocorreu durante o reinado
de Horemheb, e não durante o de seu antecessor Amenhotep III, ou
Amenófis III. Isso fez dele a mais provável opção como o
verdadeiro Faraó do Êxodo (que até mesmo faz lembrar o da
opressão), que começou mais provavelmente vários anos antes,
quando ele se tornou comandante do exército egípcio no início do
reinado de Tutancâmon.
Seriam essas as verdadeiras raízes do êxodo?
Tudo leva a essa extraordinária conclusão. Precisamos agora
ultrapassar as fronteiras do Egito e penetrar no deserto do Sinai em
busca do itinerário seguido pelo povo do Êxodo, e buscar as origens
de Yahweh, o deus dos israelitas.
Parte I c: O messias egípcio; e o fim do faraó monoteísta
Parte II a: As primeiras tribos adoradoras de “Deus”
Parte I c: O messias egípcio; e o fim do faraó monoteísta
Parte II a: As primeiras tribos adoradoras de “Deus”
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Egito, Êxodo e Deus: Parte I c: O messias egípcio; e o fim do faraó monoteísta
Esta é uma pequena série de textos
mostrando uma alternativa ao ponto de vista consensual sobre o êxodo
do Egito, o Egito nessa época e a formação da religião judaica
que por sua vez deu origem ao cristianismo e ao islamismo. Os textos
serão divididos em duas partes. A primeira parte será dividida em
quatro partes menores.
Estes textos são uma espécie de resumo, trechos retirados do livro “TUTANCÂMON a verdade por trás do maior mistério da arqueologia” (título original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald, Editora Landscape, 2004. o livro é muito mais abrangente e detalhado do que mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos autores. Quaisquer dúvidas ou pedido de referências, podem comentar que responderei.
Estes textos são uma espécie de resumo, trechos retirados do livro “TUTANCÂMON a verdade por trás do maior mistério da arqueologia” (título original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald, Editora Landscape, 2004. o livro é muito mais abrangente e detalhado do que mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos autores. Quaisquer dúvidas ou pedido de referências, podem comentar que responderei.
Estes textos,
obviamente, estão muito aquém do original, no entanto, conseguem
mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja
exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam
pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela
verdade.
Parte I c: O messias egípcio; e o fim do
faraó monoteísta
A queda de Aton
Muito foi subitamente eliminado no fim do
reinado de Aquenaton, quando primeiro Smenkhkare e depois Tutancâmon
transferiram a corte real para Mênfis e restituíram a Tebas a
função de grande centro religioso do Alto Egito. Aqueles que haviam
se mudado para a cidade de Aquenaton por motivos meramente práticos,
simplesmente fizeram as malas e voltaram de onde tinham partido. Mas
os muitos convertidos à nova religião provavelmente não puderam
simplesmente sair de Aquenaton, deixando para trás tudo o que
acreditavam com fé tão ardente nos últimos treze anos. Assim, os
seguidores fervorosos da fé de Aquenaton e seu Aton provavelmente
permaneceram na cidade, continuando a realizar seus rituais,
cerimônias e celebrações diários ao disco solar, antes do colapso
definitivo de sua infraestrutura social obrigá-los a abandonar a
cidade pra sempre. Dali por diante, Aquenaton rapidamente tornou-se
pouco mais que uma cidade-fantasma, ocupada apenas por tribos nômades
que teriam usado seus antes grandiosos edifícios como abrigo, até
que finalmente ela foi sendo desmontada até os alicerces durante o
reinado de Horemheb.
Os sacerdotes e indivíduos que permaneceram
leais a fé agora considerada ilegal de Aquenaton teriam sido
considerados hereges, e deviam ser rejeitados pela comunidade se não
voltassem a adotar o politeísmo egípcio outra vez. De certa
maneira, podemos compará-los aos primeiros cristãos de Jerusalém,
e depois, de Roma, que foram evitados e rejeitados por romanos e
judeus. Não é improvável que eles tenham ficado conhecido como
“leprosos” sociais, ou “impuros”, termos usados por Manetho
para descrever os seguidores de Osarsiph-Moisés, embora não fossem
doentes nem corruptos, simplesmente párias da sociedade.
Osarsiph-Moisés como Aquenaton
Foi no quinto ano do reinado de 17 anos de
Aquenaton que ele abandonou o nome Amenófis IV e, apenas um mês depois,
chegou ao local de sua futura cidade. Esse deve ser compreendido como
o ponto de partida da heresia, que continuou por doze a treze anos,
até a suposta morte de Aquenaton, no ano 17, correspondendo, por sua
vez, aos treze anos da rebelião de Osarsiph-Moisés. Weigall
entendeu que isso não podia ser coincidência, e também os
egiptólogos, nos últimos anos, vêm defendendo tal tese. Algumas
ideias de Jan Assman, professor de Egiptologia na Universidade de
Heidelberg, resumem a narrativa de Manetho sobre Osarsiph –Moisés
nos seguintes termos:
A história dos leprosos pode, portanto, ser
explicada como um evidente caso de lembrança deslocada e
distorcida. Nessa tradição, sobreviveram reminiscências egípcias
da revolução monoteísta de Aquenaton. Mas devido ao banimento do
nome de Aquenaton e dos correspondentes monumentos da memória
cultural, essas reminiscências deslocaram-se e ficaram sujeitas a
diversos tipos de transformações e proliferações.
A Co-Regência
Manetho nos diz que o faraó que se opunha ao
“leprosos” e aos “impuros”, obrigado a fugir do Egito antes
de voltar para expulsar os seus inimigos e os povos asiáticos, foi
Amenófis. No primeiro caso, podemos identificá-lo como o pai de
Aquenaton, Amenófis III, em cujo reinado viveu um ministro muito
popular chamado de Amenófis-filho-de-Hapu, inquestionavelmente o
personagem histórico por trás Amenófis filho de Papis, da
narrativa de Manetho.
Parece relativamente coreto declarar que durante
os anos finais de sua vida, Amenófis III reinou junto com seu filho,
Aquenaton, talvez durante onze ou doze anos. Obtiveram-se provas
disso em virtude de várias descobertas fundamentais, notadamente no
sítio arqueológico da cidade de Aquenaton, em Tel-El-Armana. Tais
evidências representam a base perfeita para propor que o pai de
Tutancãmon não era Aquenaton, como muitos estudiosos já disseram,
mas na verdade Amenófis III, tese defendida por Pendlebury já em
1936.
A questão da existência de uma co-regência
entre Amenófis III e Aquenaton foi debatida pelo perito em Amarna
Cyril Aldred, com grande repercussão, em sua obra clássica
Akhenaten: King of Egypt. Embora não possamos citar aqui
todas as provas que ele apresenta, suas conclusões são claras:
A co-regência de amenófis III com seu filho, de
acordo com as provas que temos, durou mais de doze anos... por mais
perturbadora que possa ser essa conclusão, não temos opção a não
ser aceitá-la.
Os atos de Aquenaton devem ter causado tal
consternação entre os sacerdotes, que podemos imaginá-los
suplicando a ajuda ao faraó mais velho, Amenófis III, para evitar
que o país caísse em um estado de caos e abandono.
Amenófis-filho-de-Hapu
Pelas provas textuais disponíveis, podemos ter
certeza de que Amenófis-filho-de-Hapu era um favorito do monarca
idoso. Seus conhecidos títulos também confirmam a conclusão de
Manetho, que, a mando do rei, “Amenófis, filho de Papis”, reuniu
cerca de 80 mil “leprosos” e “impuros” e os enviou para
trabalharem em pedreiras “a leste do Nilo”. Para entender melhor
os eventos históricos por trás do relato de Manetho, devemos
expandir o período de maneira a encampar os papéis desempenhados
pelos reis que vieram depois de Smenkhkare e Tutacâmon, sucedendo-os
no trono do Alto e Baixo Egito. Por exemplo, no início do relato
sobre Osarsiph Moisés, lemos:
Este rei [ou seja, Amenófis] desejava tornar-se
espectador dos deuses como Orus, um dos antecessores naquele reino,
desejou o mesmo antes dele.
Quem exatamente seria esse Orus, afinal, ou
apenas Or, grafia opcional do seu nome? Se consultarmos a Epítome,
ou as listas de dinastias, originalmente incluídas na Aegyptiaca
de Manetho – e agora encontrada apenas em segunda mão dentro de
obras posteriores escritas séculos depois – encontraremos esse rei
entre os governantes da 18ª Dinastia. Por exemplo, em versões das
listas dos reis preservadas por Josefo e certos cronistas cristãos
anteriores, um faraó chamado Orus reinou ali entre os anos 28 e 38,
e em geral se diz que foi um reinado de 36 anos e 5 meses. Mesmo
assim, seu nome se encontra não antes, mas diretamente depois
do reinado de um rei chamado “Amenófis”, ao qual em geral
atribui-se um reinado de 31 anos. O fato de esse Amenófis ser
Amenófis III fica claro a partir de sua posição na lista de 14, 16
ou 18 reis a partir dessa dinastia, dependendo da fonte citada. Essa
conclusão confirma-se mediante o fato de que, ao lado do nome de
Amenófis na lista, aparecem as palavras: “este foi o rei que
supostamente era Memnon e uma estátua falante”. Aliás, Amenófis
III reinou 38 anos, e não 30 ou 31 como Manetho diz, embora este
seja um erro de somenos importância quando comparado aos registros
de Manetho dos outros reis da 18ª Dinastia.
Sabemos por intermédio de Manetho e suas listas
que o rei chamado Orus reinou depois de Amenófis III, mas antes de
uma série de reis qu só se podem comparar com os governantes
conhecidos da era de Amarna. Eles começam com um tal de Acencheres
(também conhecido como Acherrês, Achenchersês ou Achencheres), que
sem dúvida era Aquenaton., apesar de os 12 ou 16 anos a ele
atribuídos não conferirem com a duração real de seu reinado, que foi na verdade de 17 anos. Porém, deve-se recordar que a confusão
que cercou essa lista de reis de Amaná provém do fato de que toda
a lembrança de seus reinados foi apagada dos registros oficiais.
Isso pode, portanto, explicar porque, em duas versões de Manetho, se
diz que Acencheres era filha de Orus! Se isso tem ou não algo a ver
com o estilo artístico incomum adotado por Aquenaton, ou alguma
confusão derivada de sua co-regência com Nefertiti, não se sabe.
Depois de Acencheres vem, em duas versões da
Epítome de Manetho, “seu irmão”, “Rathotis” (ou
Rathos), ao qual se atribui um reinado de seis ou nove anos. Uma
outra versão das listas dos reis diz que o faraó que reinou depois
de Acencheres foi Acherres, ao qual se atribui um mandato de oito
anos. Pelos nomes e anos de reinado atribuídos a esse rei, ele só
pode ser Tutancâmon, que atingiu o nono ano de reinado.
Isso se pode afirmar com certeza, mas nas
diferentes versões da Epítome de Manetho segue-se depois de
Rathotis uma série de reis com durações de reinados e registros
conflitantes; alguns são simplesmente uma repetição de Aquenaton,
retornando seja sob o mesmo ou outro nome ligeiramente alterado.
Outros só podem corresponder a Nefertiti, Smenkhkare ou Aye.
Finalmente, as listas incluem um faraó reconhecível – Ramessês.
Mesmo assim, parece uma lembrança um pouco misturada tanto de Ramsés
I, que reinou apenas um ano após a morte de Horemheb, por volta de
1308 a.C., e seu neto Ramsés II, que reinou 67 anos, por volta de
1290-1224 a.C. Além do mais, ambos os reis pertencem à 19ª
Dinastia, não à 18ª, onde Manetho os inclui. Então, quem era
exatamente Orus, o rei que se diz ter reinado entre Amenófis III e
Aquenaton? A resposta é que seria Horemheb, o grande responsável
por toda essa confusão, antes de mais nada. Devido ao fato de ele
estender a duração de seu reinado por volta de 27 anos, incluindo o
dos quatro reis que o antecederam, ele se atribui um reinado sobre o
Alto e Baixo Egito que durou 59 anos. Não só Horemheb é o Orus das
listas de reis de Manetho, como também reaparece com o nome de
Harmaïs, (também conhecido como Armesis ou Armais) durante um
reinado de 4 a 5 anos imediatamente anterior ao do Ramessês
mencionado acima.
Parte I b: O profeta e o êxodo do Egito como não conhecemos
Parte I d: Castigo dos deuses: As pragas do Egito
Parte I b: O profeta e o êxodo do Egito como não conhecemos
Parte I d: Castigo dos deuses: As pragas do Egito
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Egito, Êxodo e Deus: Parte I b: O profeta e o êxodo do Egito como não conhecemos
Esta é uma pequena série de textos
mostrando uma alternativa ao ponto de vista consensual sobre o êxodo
do Egito, o Egito nessa época e a formação da religião judaica
que por sua vez deu origem ao cristianismo e ao islamismo. Os textos
serão divididos em duas partes. A primeira parte será dividida em
quatro partes menores.
Estes textos são
uma espécie de resumo, trechos retirados do livro “TUTANCÂMON a
verdade por trás do maior mistério da arqueologia” (título
original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald, Editora
Landscape, 2004. o livro é muito mais abrangente e detalhado do que
mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista
alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as
referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais
prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos
autores. Quaisquer dúvidas ou pedido de referências, podem comentar
que responderei.
Estes textos,
obviamente, estão muito aquém do original, no entanto, conseguem
mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja
exatamente da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam pelo
Egito, religiões, História e pela incessante busca pela verdade.
Parte I b: O profeta e o
êxodo do Egito como não conhecemos:
O Relato de Manetho
O egiptólogo
britânico Arthur Weigall, no livro Tutankhamen and Other Essays, se
baseia nos escritos de Manetho de sebenitos, um escriba e sacerdote
egípcio do templo de Heliópolis, no Baixo Egito, que se acredita
ter escrito em sua língua grega nativa nada menos que oito livros,
entre aproximadamente 280 e 250 a.C. Intitulada Aegyptiaca, ou
história egípcia, não existe mais; porém, fragmentos da História
de Manetho estão em uma obra intitulada Flavius Josephus contra
Apion ou contra Apionem, escrita por Flávio Josefo (por volta de 37
a 97 d.C.), o escritor judeu que presenciou e depois registrou alguns
dos eventos mais importantes da história judaica.
O autor de longe mais
significativo a ser atacado por Josefo em Contra Apionem foi Manetho
que, como veremos a seguir, dizia que os judeus descendiam de
leprosos. O relato apresenta um faraó chamado “Amenofis”, que,
desejando ver os deuses (“como Orus, um de seus antecessores
naquele reino, desejava o mesmo antes dele”), procurou o conselho
de seu homônimo “Amenofis, filho de Papis”, um homem sábio com
o “o conhecimento das coisas futuras”. Depois de ouvir o pedido
do rei, Amenófis insistiu que a única maneira pela qual se poderia
alcançar isso seria livrar o reino de todos os ”leprosos, e
“pessoas impuras”. Assim, reuniram-se 80 mil indivíduos que
foram enviados para as pedreiras, “na margem leste do Nilo”, onde
trabalhavam segregados do resto da população egípcia. Dentre eles
havia “alguns dos sacerdotes sábios contaminados pela lepra”.
Apesar de sua fórmula
para atender aos desejos do faraó, Amenosfis, filho de Papis, sentiu
remorso pelo que tinha começado, pois, como Manetho registra:
Amenófis, sábio e
profeta, temia que os deuses se encolarizassem contra ele e o rei,
se parecesse haver violência contra eles [ou seja, os “sacerdotes
sábios”].
Sabendo muito bem
quais seriam as consequências de suas palavras, previu que “certas
pessoas viriam ajudar esses pobres contaminados”, as quais deporiam
o rei e permaneceriam no poder durante treze anos. Incapaz de
suportar as consequências de tocar no assunto diante do rei, Amenófis
registrou sua profecia antes de se matar.
Tendo aprendido a
lição com a morte de seu homônimo e as previsões que havia feito,
Amenófis, o rei, resolveu corrigir o mal que havia feito expulsando
os “leprosos” e as “pessoas impuras”. Eles haviam lhe
suplicado que lhes desse um lugar para morar na cidade abandonada de
Avaris, antigo lar dos hicsos, e lugar de culto a Tífon (ou seja,
Set) desde tempos imemoriais. O rei consentiu que isso se fizesse.
Também era ali que ficava a cidade de Pi-Ramesse e a cidade-armazém
bíblica de Ramsés, identificada por Manfred Bietak et alli como
Tell el-Dab`a, no Delta Oriental.
Depois de ocupar a
cidade, os “leprosos e impuros” usaram Avaris como base para
revoltar-se e nomearam para si um líder “dentre os sacerdotes de
Heliópolis”. Seu nome era Osarsiph, ou Osarsêph, e a ele o povo
jurou obediência, tendo, como contrapartida, a confecção de novas
leis que “se opunham frontalmente aos costumes egípcios”. Ele
disse-lhes que “não adorassem deuses egípcios”, e que “se
abstivessem de qualquer animal sagrado que tinham na mais alta
estima, matando-os e destruindo-os”. Além disso, Osarsiph ordenou
que eles “não se unissem senão àqueles que pertencessem a sua
própria aliança.
Esse Osarsiph,
sacerdote de Heliópolis, falou ao “povo impuro”, dizendo-lhes
que não devia mais trabalhar nas pedreiras. Em vez disso, deveriam
construir muros em torno da cidade e prepara-se para uma guerra
contra o rei Amenófis. Osarsiph, então, garantiu a “amizade”
dos outros “sacerdotes e aqueles que estavam contaminados com
eles”, e despachou embaixadores a “Jerusalém”, na esperança
que pudessem persuadir os “pastores”, ou seja, os hicsos, a
reunir-se para lutarem com eles. Antes, em Contra Apionem, Josefo
havia relatado a história, narrada por Manetho, da expulsão do
hicsos no governo do rei “Thummosis” ou “Amisis”,
inquestionavelmente Ahmose, que reinou de 1575-1550 a.C.,
aproximadamente, dizendo que na sua volta para a Síria, ou seja,
Canaã, eles haviam construído a cidade de Jerusalém. Isso apesar
do fato de que no Velho Testamento Jerusalém só se tornou
importante na tradição israelita quando as monarquias se unificaram
sob Davi e Salomão, centenas de anos depois da era de Moisés. Em
reconhecimento ao seu apoio, Osarsiph prometeu aos pastores que
haviam sido forçados a abandonar depois de sua partida do Egito
várias gerações antes, a cidade de Avaris.
Depois de aceitar a
oferta, cerca de 200 mil hicsos vieram ajudar Osarsiph, e juntos
assumiram o controle do Egito. Amenófis, que havia reunido na cidade
de Mênfis todos os animais sagrados, onde já se podia encontrar o
touro Ápis, fugiu com o filho de cinco anos, sethos, e 300 mil de
seus homens “mais valorosos” para a Etiópia, cujo rei “lhe
devia favores”. Contudo, o “povo de Jerusalém” que havia se
unido “ aos egípcios contaminados” começou a tratar os egípcios
“de forma bárbara”:
[…] aqueles que viam
como eles haviam subjugado o país acima (ou seja, o Egito) e as
maldades horrendas que haviam praticado, consideraram esse evento
uma coisa monstruosa,; pois eles não só atearam fogo às cidades e
aldeias, como também se tornaram culpados de sacrilégio,
destruindo as imagens dos deuses e usando-as para assar os animais
sagrados que antes eram venerados, obrigando os sacerdotes e profetas
a se tornarem seus executores e assassinos, depois os expulsando do
país sem sequer a roupa do corpo. Também relatou-se que o
sacerdote que lhes fornecia as diretrizes e as leis era natural de
Heliópolis. Mas quando ele começou a liderar aquele povo, mudou de
nome, e passou a chamar-se Moisés.
Após 13 anos no
exílio, Amenófis reuniu seu exército, e com a ajuda de um segundo
exército reunido por seu filho, “Rhampses” (antes “Sethos,
também chamado Ramsés, devido a seu pai Rhampses), voltou ao Egito
e “batalhou contra os pastores e os impuros, vencendo-os,
chacinando muitos e perseguindo-os até as fronteiras da Síria.
Na opinião de
Weigall, não resta dúvida de que o reinado de treze anos de
Osarsiph-Moisés correspondia “aos treze anos da heresia de Aton em
Tel-el-Amarna”. Em sua opinião,
Os 80 mil impuros, que
são, ao meu ver, os seguidores de Aton, e sua remoção para as
pedreiras na margem leste do Nilo correspondem de forma
impressionante à transferência histórica da capital inteira de
Aquenaton de Tebas para Tel-elAmarna.
Weigall supôs,
corretamente que, como Horemheb fez seu reinado retroceder até a
morte de Amenófis III, isso explicaria porque Manetho via todos
esses eventos como ocorridos durante o reinado de um único rei,
Amenófis, que se baseia vagamente no pai de Aquenaton, Amenófis
III..
Sabendo que o líder
dos “impuros” e asiáticos era um sacerdote egípcio de
Heliópolis que mudou o nome para Moisés, Weigall propôs que ele
teria nascido “no reinado de Amenófis III, e que, como o Moisés
da tradição bíblica, fugiu para a terra de Madiã no reinado de
Aquenaton”. Assim, suspeitava “que Tutancâmon teria sido o faraó
durante cujo reinado Moisés voltou ao Egito e organizou o êxodo de
seus compatriotas cativos”.
Hecataeus de Abdera
Com toda a
probabilidade, o material que serviu de fonte ao moisés de Manetho
veio de bibliotecas de Heliópolis. Contudo, uma possível influência
vem de uma obra composta uma geração ou duas antes pelo historiador
grego Hecateu de Abdera. Em 320 a.C., apenas 12 anos depois que
Alexandre o Grande comemorou sua entrada no Egito, Hecateu ficou na
corte do primeiro rei helênico, Ptolomeu I, e depois escreveu sua
própria Aegyptiaca, história do Egito. Embora essa narrativa
não exista mais, fragmentos dela foram citados por Siculus ou
Diodorus da Sicília (aprox. 8 a.C.) em sua obra Bibliotheca
Historica, a Biblioteca da História.
Muito embora Manetho
não mencione a obra de Hecateu, sabe-se que ambos devem ter se
inspirado em material semelhante para compor suas narrativas. De
acordo com Diodoro, é assim que Hecateu apresenta a história do
êxodo:
Quando, antigamente,
uma peste devastou o Egito, as pessoas comuns atribuíram seus
problemas a intervenção divina; pois na verdade viviam entre eles
muitos estrangeiros de todos os tipos, praticando diversos tipos de
religião e sacrifícios, e seus ritos tradicionais em honra dos
deuses haviam caído em desuso.
Assim, ao serem
expulsos do país, os estrangeiros são obrigados a encontrar um novo
lar. Alguns, sob a liderança de Danaus e Cadmo, terminam por
colonizar a Grécia, enquanto outro grupo, liderado por Moisés,
coloniza a Judéia, ou seja, a Palestina, que na época se dizia ser
“desabitada”. Depois eles fundaram a cidade de Jerusalém.
O Moisés de Apião
Embora não tenham
havido ocorrências anteriores de sobrevivência da narrativa de
Osarsiph-Moisés, existem várias versões posteriores a Manetho,
algumas contendo variações interessantes da vida de Moisés. Dentre
elas está o relato feito pelo gramático grego do primeiro século
depois de Cristo, Apião de Alexandria. Ele deixou algumas
afirmativas notáveis relativas a Moisés, o Egípcio, em sua
própria Aegyptiaca, agora desaparecida; incluídas em seu Contra
Apionem. De acordo com Apião:
já ouvi falar, dos
antigos egípcios, que Moisés era de Heliópolis, e que ele se
considerava responsável por seguir os costumes de seus ancestrais,
e fazia suas preces ao ar livre, diante das muralhas da cidade; mas
ele as limitava ao nascer do sol, que era favorável à situação de
Heliópolis; ele também construiu pilares em vez de gnômons
(obeliscos) […]
Como Manetho, antes
dele, Apião prossegue declarando que esse sábio uniu os “leprosos”
e os “impuros” contra o poder do faraó que governava o Egito, e
por isso foram expulsos do país. Uma vez mais, lemos que Moisés não
era israelita, mas um sacerdote que obviamente ocupava um alto posto
no clero de Heliópolis. Além disso, recebemos a informação de que
ele adotou uma nova forma de adoração ao sol “agradável” a
Heliópolis, o lugar de culto ao deus sol Rá, lugar pelo qual
abaixou os muros da cidade o suficiente para que o sol matinal
pudesse ser saldado todos os dias.
O culto de Heliópolis
Parece não restar
dúvida que, ao falar de Moisés, Apião está de fato recordando a
revolução religiosa que ocorreu durante o reinado de Aquenaton. Ao
subir ao trono como Amenófis IV, Aquenaton proclamou-se o Primeiro
Profeta do Aton. Apesar disso, o onipotente Aton não era conhecido
exclusivamente por esse nome até o ano nove de seu reinado. Antes
dessa época, também levava o título de Rá-Harachte, “Hórus no
Horizonte”. Esse era um aspecto com cabeça de falcão do deus-sol
Rá, que encarnava os dois aspectos do horizonte duplo – o disco
solar no oeste ao pôr-do-sol, e no leste como nascer do sol.
Aquenaton defendia o
culto heliopolitano ao deus Rá, adotando no início de seu reinado
seus princípios religiosos, títulos sacerdotais e métodos de
adoração, que incluíam, conforme Apião, a construção de templos
ao ar livre nos quais o sol seria saudado todas as manhãs.
Inscrições do reinado de Aquenaton falam de Rá como a luz oculta
do Aton, ao passo que, no templo de Aton em Karnak, Rá-herachte era
retratado em sua forma de deus masculino, com a cabeça de falcão
tendo acima de si o disco solar.
Como o Osarsiph-Moisés
de Manetho, Aquenaton proibia a adoração aos ídolos e a veneração
de animais sagrados. Por exemplo, em seu reinado não se enterraram
bois Ápis no Serapeu, ou Serapeum, na necrópole de Mênfis, em
Saqqara, indicação segura de que ele pusera de lado essa tradição
milenar. Ela só retornou no reinado de Tutancâmon.
Por último, falemos da fascinação de Aquenaton
com a pedra benben, talvez o mais importante objeto de culto
na tradição heliopolitana. Essa pedra sagrada de formato cônico,
um objeto piramidal, ou escalonado, originalmente colocado sobre um
pedestal em praça aberta em Heliópolis, conhecida como a Casa de
Benben ou a Casa da Fênix. A fascinação sem precedentes de
Aquenaton pela pedra benben, que na cosmologia egípcia antiga
simbolizava o Ponto Primordial, ou sep tepi (também conhecido
como zep tepi), o lugar onde ocorreu o Primeiro Tempo, ou
Primeira Era, aparentemente explicaria porque Apião declarou que
Moisés “erigia pilares em vez de gnômons”.
Se há um período, mais do que qualquer outro,
que se pode considerar que reflete os eventos que cercaram o êxodo
bíblico, esse é a era de Amarna – não o reinado de Ramsés II ou
de seu filho Merneptah. Tal conclusão combina perfeitamente com os
fatos que temos à nossa disposição, mesmo que outros períodos da
história egípcia tenham contribuído para a narrativa
apresentada no livro do êxodo.
O culto ao disco solar
De acordo com os fragmentos que restaram da
Aegyptiaca de Manetho, Osarsiph-Moisés, o líder eleito dos
“leprosos” e “impuros” criou novas leis e costumes contrários
ao Egito. Não resta dúvida que esses mandamentos imitam a maneira
pela qual Aquenaton proibia a adoração a qualquer deus que não
fosse a deidade simbolizada pelo disco solar Aton, ou Aten e, como
Manetho declara, ativamente “destruía as imagens dos deuses”.
Manetho registra também que Osarsiph -Moisés
ordenou a seus seguidores que “só se unissem àqueles que
pertencessem a sua própria aliança”. Será que isso reflete a
forma pela qual Aquenaton defendia a veneração a um só e
transferiu a sede do poder de Tebas para a cidade nova de
Aquenaton(“horizonte de Aton”), que estava em construção na
margem leste do Nilo, 277km rio abaixo? É provável que um imenso
número de pessoas, em especial as ligadas ao clero, tenham encarado
o Aton como algum tipo de novo salvador divino que garantiria
paz e prosperidade ao Egito para toda a eternidade; mas diante do
que ocorreu depois, ficou bem claro para eles que estavam totalmente
errados.
Parte I a: O faraó monoteísta e um panorama sobre o Egito à época do êxodo
Parte I c: O messias egípcio; e o fim do faraó monoteísta
Parte I a: O faraó monoteísta e um panorama sobre o Egito à época do êxodo
Parte I c: O messias egípcio; e o fim do faraó monoteísta
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Egito, Êxodo e Deus: Parte I a: O faraó monoteísta e um panorama sobre o Egito à época do êxodo
Esta é uma pequena
série de textos mostrando uma alternativa ao ponto de vista
consensual sobre o êxodo do Egito, o Egito nessa época e a formação
da religião judaica que por sua vez deu origem ao cristianismo e ao
islamismo. Os textos serão divididos em duas partes. A
primeira parte será dividida em quatro partes menores.
Estes textos são uma
espécie de resumo, trechos retirados do livro “TUTANCÂMON a
verdade por trás do maior mistério da arqueologia" (título
original: Mercy), de Andrew Collins e Chris Ogilvie-Herald, Editora
Landscape, 2004. o livro é muito mais abrangente e detalhado do que
mostrado aqui, com inúmeras referências e pontos de vista
alternativos sobre os temas abordados. Nesse resumo suprimi as
referências e adotei os pontos de vista escolhidos como mais
prováveis e necessários para o desenvolvimento do raciocínio dos
autores. Quaisquer dúvidas ou pedidos de referências, podem comentar
que responderei.
Estes textos,
obviamente, estão muito aquém do original, no entanto, conseguem
mostrar satisfatoriamente que o que sabemos talvez não seja exatamente
da forma que pensamos ser. Para todos que se interessam pelo Egito, religiões, História e pela incessante busca pela verdade.
Parte I a: O faraó monoteísta e
um panorama sobre o Egito à época do êxodo:
A Heresia de Amarna
Depois de haver
governado Tebas, capital do novo Império, durante quatro anos,
igualzinho a todos os outros faraós de sua época, Aquenaton rompeu
com o politeísmo tradicional já praticado no Egito há quase dois
mil anos. Em seu lugar, adotou uma forma de monoteísmo, centralizado
na figura do deus Aton
(Aten). De acordo com as inscrições que chegaram até nós, ele era
uma deidade onipotente e bissexual, simbolizada pela luz e calor dos
raios solares.
Ao
mesmo tempo, Aquenaton proibiu o culto a qualquer outro deus ou
deusa. Destituiu os sacerdotes de seus cargos, permitiu que seus
templos caíssem aos pedaços, desviou as verbas deles para o Templo
de Aton em Aquenaton, baniu todas as formas de idolatria e mandou
raspar os nomes dos antigos deuses. Os únicos templos que
continuaram funcionando eram os que serviam ao culto do deus-sol Re
(que às vezes se pronunciava Rá), o qual, sob seu aspecto de
Re-harakhty (harakhty, Hórus no horizonte), foi adotado como uma
forma do deus Aton.
A
ascensão de Tutancâmon
O
reinado de Aquenaton terminou de repente. Ninguém sabe porque,
embora o fato de terem morrido vários membros fundamentais da
família real nos últimos anos de seu reinado não pode ser mera
coincidência. Seu sonho durou apenas doze ou treze anos e, depois do
breve reinado de seu sucessor Smenkhkare, a restauração das antigas
religiões começou a sério com o rei seguinte, Tutancâmon, que
nessa época adotava o nome de Tutankhaten. Ele casou-se com a
segunda filha mais velha sobrevivente do rei, Ankhesenpaaten (mais
tarde Ankhesenamum), que Aquenaton já havia adotado como sua esposa
real depois do casamento de Meritaten com Smenkhkare.
No
início, Tutankhaten governou na cidade de Aquenaton em
Tel-El-Amarna, mas o menino-rei logo mudou-se de lá para Mênfis,
onde instalou sua corte imperial. Ao mesmo tempo, Tebas retomou seu
papel como principal centro religioso do Alto Egito – onde um
palácio real voltou a ser construído. Além disso, tanto o rei
quanto a rainha mudaram seus nomes para homenagear Amon, em vez de
Aton.
Tutankhaten
não devia ter mais de nove anos nessa época, e portanto, governar o
país era tarefa a ser desempenhada por outros, mais capazes. O
general Horemheb tornou-se Vice-Rei e Regente, assumindo os assuntos
militares e políticos de Mênfis, ao passo que Aye, o antigo vizir
de Aquenaton, tornou-se conselheiro pessoal do menino-rei e
administrador de todos os assuntos religiosos. Mesmo assim, embora
Tutancâmon e a esposa Ankhesenamum parecessem ter abandonado o culto
a Aton centralizado na cidade de Aquenaton o jovem faraó pouco fez
no sentido de abafar a heresia de Amarna. Aliás, fica bem claro por
vários objetos encontrados em sua tumba, que tanto ele como
Ankhesenamum continuaram venerando Aton durante suas vidas inteiras.
A época do rebelde
O preço que Aquenaton
pagou por abandonar os velhos deuses foi terrível. Sob as ordens do
general militar Horemheb, que assumiu o trono depois do breve reinado
de quatro anos de Aye, a cidade de Aquenaton foi destruída até os
alicerces. Todas as referências ao temido deus Aton foram expurgadas
das inscrições, e as estátuas de Aquenaton foram enterradas ou
destruídas. Além disso, Horemheb mandou remover os nomes dos quatro
reis de Amarna – Aquenaton, Smenkhkare, Tutancâmon e Aye – dos
registros oficiais, e prolongou seu reinado para trás, divulgando
que havia começado no ano em que o pai de Aquenaton, Amenhotep
(Amenófis) III, deu início a uma co-regência com seu filho. Em
documentos oficiais da época em que Horemheb estava no poder, há
referências à época “do rebelde”, ou do “criminoso de
Aquenaton”.
Como exemplo da forma
pela qual Horemheb considerava adequado banir até mesmo Tutancâmon
dos registros oficiais, mandou raspar à força de cinzel o nome do
Rei da Estela da Restauração, substituindo-o pelo seu. Como ele
mesmo havia dirigido a restauração das velhas religiões durante o
reinado do menino-rei, obviamente achava que tinha todo o direito de
reivindicar a autoria desse feito.
Smenkhkare
Pouco depois da morte
de Aquenaton, por volta de 1530 a.C., Smenkhkare governou o Egito em
Tel-el-Amarna e Mênfis, centro administrativo do Baixo Egito,
durante mais ou menos três anos. Tomou como sua esposa real
Meritaten, que já havia gerado um filho do pai. Além do nome
Smenkhkare, usava o prenome Ankhkheperure, e existem inscrições que
evidenciam a existência de um co-regente que governou com Aquenaton,
chamado Ankhkheperure Nefernefruaten, e que se presumia ser
Smenkhkare. Para complicar ainda mais a questão, Nefertiti também
usava o nome Nefernefruaten.
Praticamente todos os
estudiosos do período de Amarna concordam que Nefertiti adotou o
título de Ankhkheperure nefernefruaten ao se tornar co-regente com o
marido Aquenaton durante os anos finais de sua vida. Porém, quando
ela saiu de cena, Smenkhkare ascendeu ao trono e confundiu a questão
ainda mais, adotando o nome de Nefernefruaten ele mesmo, talvez para
enfatizar que era o o sucessor escolhido por Nefertiti.
Um grande número de
objetos funerários encontrados na tumba de Tutancâmon havia
originalmente ostentado o nome de Ankhkheperure ou nefernefruaten
(ambos ocasionalmente combinados com o nome Meritaten), o qual havia
sido apagado e substituído pelo de Tutancâmon.
Mas o estranho é que
Smenkhkare não aparece em nenhuma inscrição, nem é retratado sob
forma alguma, até subitamente ser elevado à posição de Rei do
Alto e Baixo Egito, lá para o final do reinado de Aquenaton. Mesmo
assim, partindo-se deste fato apenas, seria possível deduzir que ele
era parente próximo de Aquenaton, mesmo que seja improvável que
fosse filho do faraó. É plausível supor, então, que fosse filho
de Amenhotep (Amenófis) III, embora embora sua mãe continue sendo
desconhecida. Também é concebível que Tutancâmon, que também
jamais apareceu em nenhuma obra de arte antes de sua ascensão ao
trono, fosse da mesma maneira um irmão ou meio-irmão de Aquenaton,
talvez irmão de sangue de Smenkhkare.
Parte I b: O profeta e o êxodo do Egito como não conhecemos
Parte I b: O profeta e o êxodo do Egito como não conhecemos
sexta-feira, 5 de julho de 2013
The Walking Dead e a "História humana"
Comecei a assistir a série The Walking Dead com um pé atrás: um monte de
zumbis atacando pessoas que ficam matando esses zumbis. Na verdade, é bem
isso, mesmo; essa é a premissa da história. Mas então, por que um
enredo tão "batido" chamaria e prenderia a atenção de tantas
pessoas (me incluo nessa) por tanto tempo? A resposta é: de simples
tem apenas a roupagem, que realmente aproveitou a moda de zumbis,
além do sangue, mortes e violência que costumam atrair uma boa
quantidade de público.
Há uma teia social
muito bem estruturada entrelaçando os personagens, com perfis
psicológicos distintos, bem definidos, complexos e ao mesmo tempo caricatos (me lembra um pouco, mantendo as devidas proporções, os personagens da turma do Charlie Brown, onde cada um aparenta um perfil psicológico distinto que podia ser remetido a algum problema psicológico específico) e que se
desenvolvem com o desenrolar da história. Mas isso ainda está no
raso da coisa (segundo minha análise). Acho que dificilmente
apenas esses aspectos resultariam no estrondoso sucesso da série. A
grande sacada está nos fatores sociopolíticos que permeiam o
universo de The walking dead; um mundo que, de certa forma, conta
momentos diversos da história da sociedade humana sob a perspectiva
desses fatores. Muitas pessoas provavelmente se sentem atraídas pela
série – ou os quadrinhos, que deram origem a série, os quais ainda não
li – e não se dão conta do porquê, não percebem a profundidade
existente e acabam por não aproveitar tanto quanto poderiam. Não
que a premissa seja toda original: nos jogos de videogame da
série Fallout, por exemplo, nos é apresentado um mundo pós-apocalíptico onde
formam-se diferentes grupos sob diferentes formas de governo e
relações sociais. Mas talvez The Walking Dead seja o primeiro a
fazer isso na televisão e com tanta qualidade técnica.
Mas quais fatores
sociopolíticos são esses que remontam alguns pontos da história
humana? São as formas como os diferentes grupos sociais se organizam
dentro desse mundo pós-apocalíptico. A começar, esse mundo põem o
homem num estágio “primitivo”, como se tivesse acabado de sair
do estado de natureza - como argumentavam os pensadores naturalistas.
Inicialmente há divisão de trabalho entre homens e mulheres –
aqui faço uma observação: acho natural tal divisão em um mundo
“primitivo”; o homem por natureza é mais forte, fisicamente, que a
mulher, portanto é natural que eles realizem os trabalhos que
demandem força e risco. Isso não é uma divisão preconceituosa de
trabalho, mas sim de aptidões -, mas por causa da situação extrema
em que se encontram, rodeados de zumbis sedentos por carne e outros
grupos muitas vezes hostis (pra dizer o mínimo), todos são forçados
– por fatores externos: Durkheim - a desenvolverem e aplicarem da
melhor forma habilidades comuns a todos e necessárias à sobrevivência.
A visão mais comum desse mundo remete à hobbeniana – o homem é o lobo do homem. A ausência de leis para
manter a ordem e uma sociedade egoísta, onde as pessoas são
altamente individualistas, faz com que conflitos surjam
constantemente. Daí a necessidade se formarem organizações sociais
e formas de governo que atendam às necessidades distintas de cada
grupo. Também vemos microcosmos sociais onde todos são bons e
trabalham para o bem de todos - Rosseau; grupos que vivem em paz mas
decidem por um líder para a manutenção dessa paz diante da
hostilidade encontrada na “natureza”- Locke -, porém, esse grupo acaba
nas mãos de um homem carismático, com um exército fortemente
armado, governando com mão de ferro e grande foco em
auto-publicidade - fascismo. Ele age visando os objetivos que pensa serem os
melhores para essa sociedade, passando por cima seja do que ou de
quem for - Maquiavel.
Nessa
“terra-de-ninguém”, os indivíduos mais egoístas tem mais
dificuldade em se organizar e tentam a todo custo reaver um modo de
vida que seja o mais próximo do sistema capitalista, agora
inexistente. Os indivíduos mais altruístas conseguem se organizar
mais rapidamente e têm mais facilidade em manter a paz interna do
grupo.
The walking Dead é
uma crítica à sociedade atual, como mostram muitas análises que podem ser encontradas pela internet, mas também uma aula sobre a humanidade, sob um contexto muito mais abrangente.
Isso sem tocar nos aspectos psicológicos, sobre os quais não possuo
conhecimento suficiente para discorrer muito a respeito. Quem não
parou para analisar a série além de seus aspectos técnicos, talvez
agora possa aproveitá-la com um olhar um pouco mais profundo, ao se
deter a esses “detalhes”, que se encontram tão fundo na série.
(Outras análises bem interessantes podem ser encontradas em: http://nerdsocialista.wordpress.com/2012/12/08/sociedade-e-poder-em-the-walking-dead/ e http://sociologiamelhormateria.blogspot.com.br/2012/10/the-walking-dead-e-sociologia.html)
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